Na bacia das almas das negociações para o segundo turno, em Feira, a vereadora Eremita Mota foi nomeada para a Secretaria de Educação. Causaria espanto se a política não fosse uma eterna montanha russa – ou roleta –, a surpreender o cidadão.
A situação da Educação, em Feira – aliás, na Bahia – é dramática, sem que a cidade, apesar do longo tempo de ocupação do poder, pelo mesmo grupo, consiga avançar globalmente no IDEB. Ao nomear alguém sem expertise específica para a área, o prefeito faz uma sinalização ruim.
Dizem que a nomeação foi uma garantia por acordos anteriores com o partido, que não foram cumpridas. Pode ser só boato, é claro, mas o fato é que o prefeito eleito já sinaliza que a vereadora não teve o empenho necessário na campanha e o assunto teria de ser revisto. Aproveitando o afastamento por Saúde, da titular, o prefeito nomeou Beldes, interinamente.
Eremita, assim, se torna a breve. A educação precisa ser tratada como algo mais sério que acordo eleitoral. Aguardemos.
Enquanto o Brasil ultrapassa 173 mil mortos, várias cidades voltam a aumentar a taxa de ocupação de leitos, suspendem cirurgias eletivas, algumas ameaçam chegar ao colapso, e, em Feira, o HGCA 2 reabre e lota as UTIs destinadas à Covid-19. E o general investido do cargo de Ministro da Saúde sai a declarar asneiras.
Ele disse: “o verdadeiro diagnóstico não é o teste, é o clínico, porque o teste pode ser falho. É o médico que diagnostica, que pode se basear numa tomografia, na epidemiologia dos casos, no entorno, e que pode se basear nos sintomas que ele está vendo. Não é o teste que diagnostica, é o médico. E não era assim. Então, eu acho que a quantidade de testes é compatível, sim."
Não satisfeito, emendou o desserviço: "se todo o processo eleitoral dos municípios, com todas as campanhas, aglomerações e eventos, se isso não causa nenhum tipo de aumento de contaminação no nosso país, então não se fala mais em afastamento social”.
O Ministro deveria estar ocupado em explicar os 6,5 milhões de testes estocados em Guarulhos e prestes a perder a validade. Infelizmente, no momento em que mais era preciso ter ciência para enfrentar a pandemia, Bolsonaro optou pelo pior Ministro da Saúde que podíamos ter.
E continuaremos pagando: com vidas!
Pela primeira vez, desde sua fundação, o PT não vai ocupar nenhuma prefeitura de capital, após ter perdido em 11 das 15 cidades em que disputou o segundo turno, ficando reduzido a 183 prefeituras, 32 delas, na Bahia.
Jacques Wagner, entre outros líderes, tentaram minimizar a derrota, embora nem todos no partido concordem com a falta de autocritica. Como disse um ex-ministro o antipetismo ficou maior que o petismo.
A verdade é que o partido foi abalroado pela Lava Jato e viu seu líder principal, Lula, ser condenado por corrupção em várias instâncias, especialmente, como disse o ex-presidente dos EUA, Obama, pelos " escrúpulos de chefão do crime", "clientelismo governamental, negócios por baixo do pano e propinas na casa dos bilhões”.
A verdade é que o PT envelheceu, perdeu parte do apoio das massas sindicais do ABC, que deram base a sua instalação, da Igreja progressista, Universidades, redações, e intelectuais, que ajudaram a alimentar seu crescimento. Incapaz de reconhecer seus erros, de reafirmar seu compromisso com o povo, e aparecer ao novo eleitor que não vivenciou as monumentais greves que liderou, o partido preferiu caminhar em direção as verbas públicas e assim está vendo surgir uma nova esquerda representada pelo PSOl , com Boulos, e PC do B, com Manuela Davila.
Não se pode tapar o sol com a peneira, nem ocultar o crepúsculo do partido. Não é a toa que Jacques Wagner, ex-governador, cobrou renovação do partido, afirmando: "sou amigo do Lula, mas vou ficar refém dele a vida inteira? Não faz sentido".
A Bahia continua sendo o Estado onde o PT tem sua maior permanência e resistência, embora tenhamos aqui um PT miscigenado, um PT de coalizão, batizado e validado pelas forças mais tradicionais do antigo carlismo, representadas por Otto Alencar, Angelo Coronel, João Leão, César Borges, entre tantos outros. Até o atual vice-prefeito eleito de Feira, Fernando de Fabinho, já fez parte da base aliada de Wagner.
À época, Fabinho declarou: “a aliança está formalizada”. E disse que aguardava a missão que o seu novo líder ia lhe destinar. “Estarei no palanque petista em 2010”, afirmou.
O descolorimento do vermelho radical, a renúncia a pautas extremistas, a migração para uma agenda de centro compatível com os novos aliados, foi uma estratégia política muito acertada e garantiu quatro mandatos de governador, ao partido.
Agora, com o ocaso- longe da morte, no entanto- nacional e estadual, e o crescimento de agremiações como o PSD e PP, teremos um reajuste de forças para a sucessão do governador Rui Costa, com uma quase certa candidatura própria do PSD, ao menos.
O partido depende da Bahia como sua mais vistosa vitrine. Tempos emocionantes virão por aí.
Foi uma campanha de muitos boatos, fake-news, mensagens anônimas- algumas de pura baixaria- no whats-app. Durante entrevista ao Acorda Cidade, após a eleição, a talentosa jornalista Orisa Gomes perguntou ao prefeito eleito sobre um desses boatos que afirmava que ele renunciaria no meio do mandato para ser candidato a deputado federal deixando o cargo a Fernando de Fabinho, seu inusitado vice.
Colbert negou peremptoriamente que houvesse qualquer tipo de acordo desse tipo, disse que não fez e não faria isso, e que vai cumprir integralmente seu compromisso com o povo de Feira.
Depois da fracassada campanha para governador José Ronaldo deu a volta por cima mantendo a Prefeitura de Feira de Santana sob o controle de seu grupo. Não se pode menosprezar a imensa capacidade de articulação do ex-prefeito e o impacto que seu esforço final teve para a eleição de Colbert Martins. Ronaldo tem a experiência de ter vencido as cinco eleições anteriores- inclusive com Tarcísio Pimenta- e um vasto conhecimento do mundo político da cidade.
A candidatura de Colbert gerou muitas dúvidas especialmente quando Ronaldo ressuscitou o desaparecido Fernando de Fabinho- uma espécie de seguro para eventualidades- e empurrou goela abaixo de todos o velho companheiro. Mesmo essa escolha acabou não influenciando o resultado.
Evidente que o longo tempo de ocupação do poder gera desgaste e esse cansaço do Ronaldismo contribuiu para o crescimento da oposição e levou o ex-prefeito a reduzir sua participação na TV embora mantivesse sua atuação em plena intensidade nos bastidores.
Enfim, José Ronaldo deu mais uma lição de habilidade política, articulação, conservando Feira de Santana sob sua influência, aumentando seu cacife para as articulações da sucessão estadual, e botando a oposição com dor de cabeça só pela possibilidade de ser uma alternativa na sucessão de Colbert. Não é pouca coisa.