A nova pesquisa da Folha de São Paulo mostrou que Bolsonaro continua com aprovação em alta. Opositores, que sonham tirar Bolsonaro do poder – como os que sonhavam tirar Lula –, acham que esse tipo de líder é um ser isolado, que chegou ao poder pelo acaso e cometem, aí, seu erro fatal. Bolsonaro, como Lula, encarnam uma maioria de brasileiros, um tipo de brasileiro que se encontra representado – na estética e nos valores –, nesse tipo de liderança. Por isso a aprovação não cai.
O percentual de brasileiros com horror ao “Bozo do Centrão” ou ao “Chefão inescrupuloso, cujo governo fazia negociatas por baixo do pano e recebia propina na casa dos bilhões”, é a parcela menor da sociedade, que exige mais estética de ambos e busca um líder com valores mais próximos do estadista, embora tenham uma absurda capacidade de escolher errado.
Esse brasileiro bolsonarista, assim como o brasileiro lulista, não larga o poder facilmente, depois que se sentem representados no status quo.
É preciso algo maior, que quebre a espinha do poder, para que ele caia. Foi assim com a Lava Jato, em relação ao estado de devassidão moral que o PT implantou; poderia ser assim com a pandemia em relação a Bolsonaro, com a quebra da economia.
O problema para quem esperou por isso foi que o governo agiu certo com as medidas econômicas, até aqui (embora seja capenga e abjeto na saúde), o que resultou no crescimento de Bolsonaro, nas pesquisas. Caso o ministro Guedes, o Posto Ypiranga, mantenha a performance e a economia sobreviva, ele continuará sendo o grande favorito à reeleição.
O escritor britânico John Le Carré morreu, aos 89 anos, nesse último sábado (12), em Cornwall, informou, neste domingo. sua editora, que divulgou um comunicado da família.
O grande sucesso veio com seu terceiro livro, "O espião que veio do frio", publicado em 1963. "O espião que sabia demais", transformado em filme e série, também se destaca entre suas obras, além de "A guerra no espelho", de 1965, e "O alfaiate do Panamá", de 1996.
Para os fãs de história de espionagem como eu, fica a perda de um grande autor, afinal, ele escreveu as melhores.
A FDA (Food and Drug Administration), poderosa agência de regulação de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou a liberação do uso emergencial da vacina contra a Covid-19 produzida pelas companhias farmacêuticas Pfizer e BioNTech.
Até agora, apenas quatro países haviam aprovado o uso emergencial desse imunizante: Reino Unido, Canadá, Bahrein e México. Segundo a FDA, a vacina da Pfizer “atende aos critérios legais para emissão nos EUA”.
No entendimento do órgão, “a totalidade dos dados disponíveis fornece evidências claras de que a vacina pode ser eficaz na prevenção da Covid-19”. A CDC, outra agência norte-americana, precisa fazer a liberação, para que a vacinação seja iniciada.
No início de novembro, a Pfizer anunciou que sua vacina tem eficácia de 95% na prevenção doença, segundo dados iniciais do seu estudo da terceira e última fase de testes. Os dados foram publicados na mais conceituada revista cientifica do mundo: a New England Journal Medicine.
Na famosa batalha das Termópilas, por volta de 480 a.C., durante as chamadas Guerras Médicas, entre gregos e persas, ficou famosa a resistência de Leônidas, com seus 300 soldados de Esparta, que lutaram no famoso desfiladeiro.
Um dos mensageiros de Xerxes, rei da Pérsia, teria tentado amedrontar os gregos, dizendo que havia tantos arqueiros e lanceiros no exército persa, que quando eles disparassem suas flechas e lanças, elas iriam “cobrir o Sol”. Ao que o Rei Leônidas teria respondido: “melhor, combateremos à sombra”. Como sabem, Leônidas foi traído e os 300 morreram, mas inspiraram um filme, em Hollywood. O número 300 e a heroica resistência de Leônidas tornaram-se lendas e inspiração.
O mundo enfrenta uma batalha tão assustadora quanto aquela, mais universal. E estamos sendo traídos, da mesma forma que os espartanos, pelos que não fazem distanciamento social; pelos que fraudam as verbas destinadas ao combate à pandemia; pelos que politizam uma resposta à pandemia, que deveria ser científica; pelos que não demonstram empatia pelas vítimas e não contribuem, em seus atos e discursos, para minorar a dor, alimentar a esperança e tornar a travessia uma possibilidade mais segura.
A campanha política, com suas aglomerações, comemorações, desfiles de artistas, liberações de atividades, começa a cobrar seu preço. Ontem, em Feira, tivemos 300 casos. A segunda onda chegou com mais força e de forma mais dramática e violenta. A rede de saúde privada já está lotada e a rede pública já está no limiar final. Veremos cenas que não gostaríamos de ver...
Ela chega após a flexibilização das medidas de contenção. Exatos quinze dias após o final de uma absurda campanha política. O inimigo rompeu as defesas e ataca as vítimas no momento em que todos já estão exauridos.
No Brasil, os mortos já são tantos como as flechas de Xerxes, mas não haverá sombra para esse combate.
As ações de criminosos, organizados em bandos fortemente armados, cercando e dominando cidades, como a rica Criciúma (SC), para realizar assaltos é um atestado cabal e absoluto de fracasso dos governos – todos os governos –, no combate à criminalidade organizada.
O Brasil está ficando sitiado pelo crime. Os criminosos tiveram sua vida facilitada pela leniência, corrupção judicial, vitimização dos criminosos e progressão de pena, que mostram que a resposta da lei está aquém da necessidade.
Apenas Sergio Moro, quando estava no Ministério da Justiça, começou a enfrentar a criminalidade organizada, aprovando uma lei para confiscar bens, fazendo um banco de DNA, com a finalidade de facilitar a identificação de criminosos, e mudando chefes de facções de prisões, para quebrar a cadeia de comando.
Não durou muito, como sabemos, e o governo que restou não mostra nenhum plano nacional de combate ao crime organizado, limitando-se à ação e reação.
Para um fracasso, é o bastante; para o que o Brasil precisa, é um fracasso.