O caso da deputada federal carioca, Flordelis, que foi apontada como mandante da morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, mas que não pode ser presa durante a operação da Polícia que prendeu outros participantes do crime, porque tem foro privilegiado, é emblemático e simbólico desta insustentável e intolerável situação.
A deputada, acusada de mandar matar o marido- aliás, ex da filha- com ajuda dos filhos adotivos continuará solta, apesar de toda barbárie. O projeto que acaba o foro está na gaveta de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e o grande responsável por não colocar o projeto em votação.
Da mesma forma, a prisão em segunda instância, que constava do projeto de Sérgio Moro de combate ao crime e nunca teve o apoio do presidente, segue sem votação.
O Brasil não aceita mais essa situação absurda, desrespeitosa e que viola toda sociedade. A impunidade gera desordem sociais e nossos políticos são os responsáveis, pois, não exigem que Maia coloque o projeto em pauta de votação.
Uma vergonha nacional.
À moda de Lula (PT) que emplacou o mega-empresário José de Alencar como vice candidato a Presidência da República para quebrar a resistência- com sucesso-, do empresariado ao seu nome, Jose Neto ( PT) resolveu mudar , dividir o poder com João Leão( PP) e aceitar que o vice seja o empresário Roque Eudes, dono de uma rede de supermercados. Neto tenta penetrar em um segmento que sempre dificuldade de aceitação sendo visto com desconfiança. A nova estratégia muda, realmente, a apresentação do candidato.
Não se sabe como reagirá a dupla Colbert- Ronaldo para a escolha do vice em sua chapa. Deve ser alguém que venha a somar e não apenas compor o espaço. Especulam-se três nomes. Se pensar apenas em uma fidelidade explosiva, seguirá com Justiniano França. Caso opte por alguém com afinidade empresarial, em contraponto ao vice de Neto, boa votação para deputado, e experiência administrativa, escolherá José Pinto. O terceiro nome, Fernando de Fabinho, afastado da política, como réu em processo, no passado, com o STJ,é o que menos faz sentido, pois, dará margem aos adversários para bater.
Está na hora da onça beber água. Até o fim da semana, a sorte deverá estar lançada.
As obras do projeto Centro invadem a Marechal Deodoro-o fervilhante centro de comércio popular- mas até agora é como se nada estivesse acontecendo. Se a convivência com a pandemia tornou-se natural- não deixa de ser como a violência-, o comércio de ambulantes aproveitou para retomar a rua que é sua. O movimento de caminhões fazendo carga e descarga continua frenético, e homens fortes passam a minha frente com caixas de mercadorias enquanto outros levam sacos transparentes nos ombros, com partes do boi, abatido, para os açougues.
Vendedores de frutas, de caldo de cana, de verduras, e pequenas barracas se amontoam no espaço restrito, caótico, orgânico e vivo, da feira. É a cidade como ela é. Uma retroescavadeira cava entre duas linhas marcadas de giz e movimenta um grande volume de terra. Como ainda estamos nessa transição de dias chuvosos para a secura que anuncia a despedida da temporada fria, não há poeira. Ao lado das máquinas os vendedores com suas galeotas mantém firmes suas posições, como se tivessem traçado uma linha de combate e ali fosse sua trincheira.
Os grandes equipamentos fazem contraste com os carrinhos de mão repletos de verduras. Os fios dos postes constituem uma alegoria de desordem, ligações nem sempre regulares, e uma torre de babel elétrica. Alguns fios já estão quase a altura das cabeças. Custa crer que tudo isso vai mudar e que tamanha intervenção esteja sendo feita sem que o comércio dê a menor bola.
Quando chego quase ao fim da rua encontro o único sinal que algo mudou. No meio da rua, sem carro, três garotos e um adulto jogam um bobinho, cada um exibindo sua falta de intimidade com a bola, mas deixando transparecer uma tremenda alegria pelo campo inaugurado.
Talvez seja apenas isso. A vida segue, independente do que esteja acontecendo.
A falta de senso com que o governo lança propostas estapafúrdias sugere que os filtros estão depois da aprensentação e não antes. Duas delas: aumentar o imposto sobre livros e usar a verba que o IBGE usaria para fazer o Censo- fundamental para o país- para comprar armamentos para as Forças Armadas.
Qualquer um que proponha dificultar acesso a livros e trocar conhecimento por armas só pode estar vivendo uma completa ausência de senso.