César Oliveira - 03 de Agosto de 2020 | 19h 23
A única coisa certa sobre a eleição feirense é que nada está certo, afinal, a pandemia regrediu mas não foi embora e não sabemos como ficou a alma do eleitor diante do problema. É certo que não vimos aqui as cenas trágicas acontecidas em outras cidades e o sistema de saúde suportou a demanda com o Hospitais- de Campanha e HGCA2- inaugurados na hora final.
Essa eleição tem elementos inéditos, pois não sabemos se poderá haver comícios, corpo a corpo ( mais provável que não), e os empresários estão com recursos limitados para apoio a essa disputa.
Evidente que a essa altura ficaria muito difícil Ronaldo tirar um coelho da cartola e não apoiar Colbert- com chance de repercurtir mal-, o que parece tornar o fato com grande chance de acontecer. Não que não deva ter pensado, mas política é como a nuvem, como dizia um antigo político brasileiro. Ronaldo ainda é um respeitado eleitor, tem grande capilaridade, embora não seja mais o antigo senhor da razão como era. Colbert tem oxigenado o secular secretariado e toca obras que dispõe, embora muitos digam que precisa conversar mais.
A novidade de hoje foi a união de Geilson com Targino- desafeto incisivo de Ronaldo e Colbert- criando uma terceira opção eleitoral com nomes conhecidos na cidade, mas que precisa de apoio extra para um projeto mais longo.
Neto segue cavalgando o sucesso da inauguração do HGCA2, e ancorado em uma rejeição menor do que nas pesquisas de outros anos. Será preciso vencer seu antigo pecado da incapacidade de agregar e dividir o poder, para cobiçar o êxito dessa vez. De qualquer modo é a primeira vez que não enfrentaria Ronaldo diretamente, ou sem estar no poder.
Há, ainda, outros candidatos com muitas dificuldades a serem superadas.
Na Câmara fala-se que 50% ou mais, dos vereadores, não será eleito em um processo de renovação sempre salutar.
Enfim, ao que parece, apenas o segundo turno, tem cara de fato quase consumado.
César Oliveira - 01 de Agosto de 2020 | 14h 20
Não, não estou fazendo alarme, mas exigindo do poder público o que é de direito do cidadão. Os governos, com mais ou menos eficiência, estão atendendo plenamente a quem pega a Covid-19, mas nada está sendo feito por quem sobrevive a forma moderada e grave da doença.
Todos acham que o paciente que recebeu alta hospitalar, está curado. Não é assim. Muitos pacientes mantém restrição pulmonar e precisam de suporte de pneumologia, porque mal conseguem andar.
Estudos de necrópsia mostraram que 60% dos pacientes tinham vírus no músculo cardíaco e Ressonância Magnética do coração, feita após 3 meses, encontrou lesão em muitos pacientes e risco de evoluir com insuficiência cardíaca. Os que fazem diálise, e sobrevivem, precisam ter seus rins monitorados porque as insuficiências renais graves não costumam ser inocentes.
Há, ainda, uma imperiosa necessidade de fisioterapia para recuperação motora e respiratória e nenhum serviço público foi estruturado para isso.
É preciso pensar nas diferentes necessidades dos cidadãos, pré, durante, e pós Covid.
César Oliveira - 30 de Julho de 2020 | 17h 35
Uma das maiores repulsas da sociedade brasileira sempre foi o patrimonialismo, a corrupção que devastava o país desde sua descoberta, sem nenhuma punição, em um consórcio que unia empresários insaciados, políticos oportunistas, e uma Justiça leniente. Esse cansaço, exacerbado pelos anos do projeto de poder sustentado pela corrupção que o PT e associados elevaram ao estado da arte, acabou por levar Bolsonaro a sua eleição. O eterno compadrio só foi modificado pelo juiz Sérgio Moro e a Lava-Jato, que obtiveram resultados espetaculares com a recuperação de recursos, prisão de vários políticos e empresários que jamais sonharíamos em ver na cadeia.
Em tese, essa operação deveria ser um orgulho nacional- como é mundial-, mas aqui tem despertado muitas forças de oposição que desejam manter as imorais regras do jogo.. Com a entrada do Centrão, no governo, o afastamento de Moro, a não aprovação da prisão em segunda instância, e do fim do foro privilegiado, o compromisso de campanha e a esperança nacional de avanços vão ficando cada vez mais distantes de serem cumpridos.
Uma das maneiras de inibir a Lava-jato está sendo conduzida pelo atual Procurador Geral da República, Augusto Aras, escolhido por Bolsonaro, fora da lista tríplice. Usando o sofisma de corrigir excessos, ele fez sérias acusações aos Procuradores- sem exibir nenhuma prova-, requisitou todos os dados para si e baixou uma portaria que lhe permite acessar o formidável banco de dados de todas as operações da Lava-Jato, no país. Aras faz isso sem o pudor de desmerecer, desqualificar, os colegas e a própria instituição a qual pertence. Caso quisesse corrigir rumos operacionais- o que deve ser feito e seria natural- o faria administrativamente, e não com o agressivo discurso que tem exibido contra a Lava-Jato e que coloca em risco os seus resultados.
Assim, o PGR vai se tornando uma força contrária ao que o país deseja e faz um agrado ao governo Bolsonaro, cada vez mais recheado de denunciados da Lava-Jato. Tudo poderia ser um erro de interpretação se o próprio PGR não tivesse produzido uma dessas frases bestiais que escapam e sintetizam com clareza luminar os fatos:“esse conceito lavajatismo há de ser superado pelo natural, bom e antigo enfrentamento à corrupção"
O natural, bom e antigo enfrentamento à corrupção, gerou apenas 500 anos de impunidade. Só consigo me lembrar das últimas palavras de Kurtz, agonizante dentro do barco de Marlow, no Congo, em Coração das Trevas, o monumental livro de Joseph Conrad: "O Horror! O Horror”.
César Oliveira - 28 de Julho de 2020 | 18h 10
Caminhamos, implacavelmente, para 100 mil mortos. Uma tragédia inimaginável e uma perda irreparável. O número, no entanto, é muito menor do que seria se tivéssemos adotado a eugenista e genocida imunidade de rebanho a respeito da qual não se sabe o percentual, ou mesmo, se existe. E não se chega a ela sem um latifúndio de mortes, muitas delas evitáveis, pois, o sistema de saúde entra em colapso.
A sobrevivência a essa pandemia para os 80% assintomáticos, é tranquila; para os 20% sintomáticos, é um delicado equilíbrio entre imunidade, tempestade inflamatória, velocidade de aparecimento dos contagiados, tamanho e expertise da rede de saúde. E para que a rede se expanda e a ciência aprenda, o distanciamento social é fundamental.
Já se tornou cansativo repetir que ele alonga a curva, embora insistam em negar os exaustivos dados que estão em todos os noticiários e um excelente estudo publicado na Nature, com sequenciamento genético do vírus, que mostrou que o contágio caiu de 3, para 1, ou 1,6, no Brasil, após as medidas não farmacológicas de combate a pandemia.
É preciso rebater outro sofisma inconsistente que repete o bordão: estava em isolamento e se contaminou, fique em casa, para morrer. Chega a ser abjeta a manipulação. Nunca li, em nenhum lugar, que isolamento impediria, totalmente, que alguém se contaminasse, pois, quase nunca há isolamento total. Sempre há interação. O que se reduz é a probabilidade. É o inverso da loteria. No jogo, quanto mais cartelas você aposta, maior a chance de ganhar. No distanciamento, é o contrário.
Um derradeiro sofisma apela dizendo que a maioria das contaminações dos confinados, foi em casa. É claro. Isso é amostra populacional. Como a esmagadora maioria está em casa, o número de contaminações - feitas por quem veio da rua- será maior na população confinada, mas essa será sempre menor do que se todos estivessem nas ruas ao mesmo tempo.
O distanciamento social tem funções específicas: alongar a curva de aparecimento dos casos de modo que ela não leve o suporte de saúde ao colapso, permitir a ampliação de leitos, compra de insumos, testes ( o que o Brasil, não fez), treinamento da rede. Além disso, ele permitiu que fosse adquirida expertise sobre a doença, pelos profissionais, melhorando as intervenções e sobrevida. Foi assim que tivemos tempo de aprender sobre as fases da doença (I, IIa, IIb, 3, 4), as terapêuticas adequadas a cada uma delas, reconhecermos a utilidade da dexametasona, desistirmos da entubação precoce, aprovarmos o redemsavir, reconhecermos a inutilidade da cloroquina em casos graves, moderados e leves, restando provar o uso ainda mais precoce, descobrirmos o papel dos distúrbios da coagulação.
O tempo permitiu avançar em todos esses – e outros- conhecimentos, modificar a forma de tratar a doença levando a um fundamental impacto na sobrevida dos pacientes, e ainda está nos dando a chance de criar a vacina. Evidente que a medida que a pandemia vai se deslocando, ela abre a possibilidade de retomada da economia nos locais por onde ele já teve seu pico.
É por isso que precisamos agradecer a cada um que contribuiu, participou, ficando em casa, o possível. Muitas pessoas estão salvas graças ao gesto, anônimo, mas fundamental de manter o distanciamento, isolamento, quarentena, toque de recolher, lockdown, ou o que foi necessário.
Reconhecer o esforço de quem não se deixou iludir pelos arautos do apocalipse econômico que sugeriam que podia haver economia sem saúde. Não são apenas os médicos e agentes de saúde que estão sendo heróis, nessa luta. Cada um de vocês foi um gigante no seu pequeno gesto de recolhimento. Eu os reconheço.
César Oliveira - 25 de Julho de 2020 | 23h 27
Os números da média móvel mostram que os números da Covid-19 regridem em nossa cidade. Embora o número de testes realizados possam influenciar esse resultado, a realidade é que nas emergências privadas o número de atendimento já caiu significativamente e nas UTis a demanda está sendo reduzida. No HGCA2 a taxa de ocupação da UTI tem se mantido em 50%( 20 dos 40 leitos) mesmo com pacientes transferidos de outra cidade, o que reflete uma redução do surgimento de casos em Feira.
24/06 - 30/06 = Total 1061/7 = média de 151,5
01/07 - 07/07 = Total 949 /7 = média de 135,5
08/07 - 14/07 = Total 757/7 = média de 108,1
15/07 - 21/07 = Total 897/7 = média de 128,1
A expectativa é que a retomada do comércio não volte a afetar os índices atuais.
FONTE: o