Nunca antes na história desse país houve um ministro do Supremo Tribunal Federal, como Gilmar Mendes. Nestes últimos 15, em desempenho olímpico, ele passou a deferir pedidos de habeas corpus em ritmo de piloto de Fórmula 1, concedendo 15 alvarás de soltura. No derradeiro deles, libertou Orlando Diniz, ex-presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, acusado de meter a mão grande em R$ 10,7 milhões, em verbas públicas.
Na lista vem Paulo Preto, apontado como operador de propinas do PSDB paulista, levou dois, logo, como brinde, um, horas após ele ser preso. Consta, ainda, o ex-secretário estadual de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro, Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, o doleiro Sérgio Roberto Pinto da Silva, Hudson Braga, secretário de Obras do serial criminoso, Sérgio Cabral, ex-governador do Rio; Carlos Miranda, operador de Cabral; Milton Lyra, lobista ligado ao MDB. E ainda teve para Marcelo Sereno, ex-secretário nacional de comunicação do PT; Adeilson Ribeiro Telles, do Postalis; Carlos Alberto Valadares Pereira, ex-membro do Conselho de Administração do Serpros, fundo de pensão do Serpro; e Ricardo Siqueira Rodrigues, operador financeiro. Já com a mão na massa botou na rua o empresário Sandro Alex Lahmann e do delegado Marcelo Luiz Santos Martins.
Como se pode ver, Gilmar, não se fez de rogado e libertou bandido de todos os naipes e matizes. O quadro se agrava quando se sabe que, Orlando Diniz, da Fecomércio, é um dos doadores do Instituto de Ensino, de Gilmar, mas nem assim ele se declarou impedido. Aliás, parece que limites éticos não fazem parte do código do Ministro que já libertou outros presos, do Rio, até quando foi padrinho de casamento da filha do réu, como Jacob Barata.
Não é possível, que todos os juízes da primeira instância tenham errado nessas detenções. Gilmar está apenas exercendo sua soberba e seu poder. O Ministro recebeu um das mais duras criticas já vistas em um Tribunal, por parte do Ministro Barroso que disse: Me deixa de fora do seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia.
Ao que parece, Gilmar, quer dar razão ao outro.
O governo Rui Costa, é justo reconhecer, tem feito grandes investimentos na infraestrutura de Saúde, na Bahia. Inaugurou a maior série de hospitais que já tivemos (HGE2, Hospital da Mulher, em Salvador; Hospital Costa do Cacau, em Ilhéus; da Chapada, em Seabra; ampliação do Prado Valadares, em Jequié), além de cinco Policlínicas e UPAS. Apesar de todo discurso da oposição com relação a limitações do funcionamento- e existem-, é uma mudança extremamente significativa e que recupera uma defasagem histórica que a Bahia tinha. Além disso, deverá entregar o novo Hospital Couto Maia, até o meio desse ano e construirá o Hospital Metropolitano, em Lauro de Freitas. Não há como não reconhecer o impacto que essa estruturação, nova, causa na resolutividade e eficiência assistencial da população.
Em Feira, o governador tem uma dívida significativa. Há quatro anos, fez uma promessa não cumprida, de erguer o novo HGCA. A sua palavra, não valeu. Escrevemos diversas vezes que a saída era reformar o HGCA, para ganhar sobrevida, algo que o governo recusava, até que resolveu render-se ao senso comum. Assim, está concluindo a maior reforma que já foi feita naquela unidade, que vivia capengando, maltratada, limitada, subtraída de sua importância e dimensão. A mudança de visão foi um alento para quem atua e para quem precisa do HGCA, que está passando por uma revisão geral.
Ao mesmo tempo, o governador anunciou – segunda vez- a construção do HGCA 2, uma necessidade impositiva e que não se justifica sequer ter ficado para depois, mas antes tarde do que nunca. É certo que Rui veio inaugurar e anunciar uma série de obras e ações na casa do candidato adversário, mas não há porque duvidar que o hospital será implantado. Nesse caso, apesar da falha anterior, acredito que o governador irá cumprir o anúncio.
Há, portanto, com a Policlínica e a reforma do HGCA, uma melhora na assistência do Estado à saúde regional. Esperamos que haja algum modelo gerencial que coloque as três unidades (UPA, Policlínica, HGCA) com funcionamento integrado, permitindo a otimização dos serviços ambulatoriais e de internamento, entre eles, e que não funcionem como se fossem unidades de redes de saúde independentes.
Rui, está legando um avanço na saúde.
Congresso continua fingindo-se de morto; Executivo, negocia maneira de repassar os custos ao cidadão; Judiciário, além de dar liminares estapafúrdias, não sinaliza ter percebido a ira do contribuinte.
Nenhum dos três poderes propõe nada que seja corte de custos e barateamento da máquina pública.
Enquanto isso, as vivandeiras já rondam os quartéis.
Os políticos não estão entendendo. O apoio da população à greve dos caminhonheiros não é pelo reajuste do Diesel. Ele é, apenas, um meio de verbalização de insatisfações O brasileiro está esperando dos detentores do poder, respostas maiores do que simplesmente o ajuste do preço do combustível.
A população quer ajustes, cortes dos desperdícios, redução de mordomias, enxugamento do Estado, fim das vantagens indecentes do judiciário, dos cartões corporativos, jatinhos, carros, aposentadorias ilegais, fundos de pensão, fim da impunidade, fim da proteção aos corruptos. A população está exausta de pagar muito e não receber serviços adequados enquanto os três poderes violentam os cofres públicos. Basta, é isso que o apoio a esta greve está dizendo. Parem de fingir que não estão vendo.
Não, não é pelo diesel!
Os caminhoneiros pararam o Brasil, e, apesar dos transtornos, ganharam um inédito apoio da população, que não reclamou, levou alimentos, aplaudiu, e manifestou seu apoio ao movimento. Tolice imaginar que esse apoio é uma solidariedade de usuários. O combustível é outro.
A população apoiou o movimento porque se sente órfã de lideranças que os representem, da falta de respostas de um Congresso falido, omisso, comprometido moralmente e judicialmente; de um Presidente, que se faz reformas importantes, mostra-se intrinsecamente ligado à quadrilha partidária que usurpa o país há décadas; e de um Judiciário, que desrespeita as leis em troca de benefícios financeiros, e age com lentidão, ineficiência, falta de resolutividade, quando não coisas piores, que irritam a população.
Não, não, o apoio do povo aos motoristas de caminhão é apenas um grito de alerta, um compartilhamento de anseios, uma identificação e suporte a alguém capaz de lutar suas lutas. É a canalização de vontades comuns. É importante que os representantes institucionais entendam, pois, o líquido da insatisfação é inflamável e qualquer faísca pode desencadear um incêndio sem controle.