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Cesar Oliveira - 23 de Abril de 2018 | 16h 21
Estruturalmente, a democracia, estabeleceu, ou tentou, um sistema de pesos e contrapesos que permitissem o equilíbrio entre o Executivo, Legislativo e Judiciário, divisão que vigora a maior parte de nossa existência. Na interface com estes elementos centrais, alguns outros, foram sendo criados e exercem influências variáveis como fazem a Polícia, o Ministério Público e a Imprensa, por vezes chamada de quarto poder. Não a toa, Churchill, dizia: " não há opinião pública; há opinião publicada".
O cidadão sempre foi a opinião publicada, por outros, afinal, exceto em momentos esparsos de conflitos revolucionários, raramente ele encontrava maneiras de representar sua opinião. O advento da internet e sua filha serpente- as redes sociais- tornaram cada cidadão uma opinião pública, frequentemente inconciliável com as demais e que reage, geralmente de modo feroz, quase irracional e até violento, a qualquer discordância ou tentativa de contra-argumento.
Alguns acham que as redes sociais deram origem a esse modelo fragmentado, reacionário, jacobino e eivado de rancores. Não acredito. As redes não inventaram um novo humano, um cidadão anti-social, com fragmentos de cérebro reptiliano e que mais reage que analisa. É o mesmo, lamentável, humano de sempre, com suas pulsões freudianas em plena efervescência, a achar que sim, o inferno são os outros.
Apesar do Papa ter desmentido a existência do inferno, recentemente, sabemos que ele está por aí, como antítese a toda ação positiva humana. Assim, os aspectos negativos da rede advindos dessa desnudação pública do comportamento humano, estão aí para contrabalançar sua ação positiva.
Uma delas é a exposição continuada das entranhas do poder, em suas piores ações, gerando uma resposta da opinião pública - e não mais, apenas, da opinião publicada, com seus interesses próprios- criando um novo protagonista entre os três poderes.
No cenário, brasileiro, atual, a essa exibição, o poder Legislativo tem respondido com covardia e indiferença para tentar preservar seu status quo de patrimonialismo e devassidão ética; o Executivo, continua agindo nos bastidores a favor dos seus, mas só franco-atirador seria capaz de não se importar com a voz rouca dos teclados, e o Judiciário assume o protagonismo de legislar e combater as mazelas alheias, sem olhar as suas.
O certo, no entanto, é que o compartilhamento do poder com o cidadão é uma marcha irreversível da humanidade. Nada será como antes e nunca mais haverá, somente, a opinião publicada. Só não temos certeza, ainda, que o protagonismo da opinião pública, sem filtro, não é o inferno anunciado..
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Cesar Oliveira - 23 de Abril de 2018 | 16h 19
Michel Temer, comemora ter zerado, pela primeira vez, desde que o programa começou, a fila do Bolsa Família. O programa, iniciado no governo de Fernando Henrique, como bolsa escola e bolsa gás, foram reunidos e ampliados no governo Lula, que lhe deu uma grande dimensão, como projeto de transfêrencia de renda. A longevidade do programa, sem porta de saída, criou um novo coronelismo, o coronelismo de plástico ( o do cartão).
Esse programa, do qual Temer celebra, agora, sua extensão, se apresenta o fantástico benefício de atenuar a miséria imediata e bruta, eterniza a pobreza e cria uma dependência covarde, cruel, do Estado, tornando o indivíduo refém da manipulação do populismo. A satisfação do mínimo, mínimo, sem a criação de uma saída real é uma violência que corrompe a força humana e torna o cidadão um refém. Precisamos ir além, para não ficarmos eternamente confinados ao assistencialismo.
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15 de Abril de 2018 | 21h 56
A primeira pesquisa Datafolha, após a prisão de Lula, trouxe um cenário de terra arrasada. Lula reduziu seu cacife eleitoral caindo de 37% para 31%, mas os demais seguem ainda sem consolidar um grande favoritismo, com Bolsonaro e Marina, com melhore percentuais. A verdade, é que campanha depende de TV, estrutura partidária e alguma popularidade pessoal, para decolar. Nenhum candidato, até o momento reúne o pacote geral.
Jair Bolsonaro, Marina Silva, tem mais popularidade, mas a estrutura dos partidos deixa muito a desejar; Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, tem partido, mas não conseguem decolar e ficam patinando. Alckmin, tem denúncias a serem explicadas; Ciro, tem contra si o destempero que o leva a dar pescoçadas por aí; no fim da linha vem uma multidão, sem partido forte, com números pequenos e muito sapato para gastar se quiserem um lugar ao sol.
A verdade, é que a pesquisa mostrou que, sem Lula, a campanha ainda é uma terra de ninguém..
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Cesar Oliveira - 14 de Abril de 2018 | 11h 27
A overdose, a exibição pública cotidiana, do processo de degeneração política do Brasil, da corrupção em todas as instâncias administrativas praticadas pelo consórcio entre empresários e governantes, dos três poderes, tem levado a um sentimento de desespero, de desalento, entre os cidadãos. Esses continuam enxergando o Brasil desigual, com péssimos serviços e 45.000 autoridades com foro privilegiado, protegidos de forma indecente dos rigores da lei pela indústria recursal, Judiciário leniente e uma população que se deixar dominar pelo populismo oportunista e não transforma seu voto em um instrumento de reforma.
Ao contrário de muitos, nunca estive tão otimista. Jamais pensei que veria em meu país, o que testemunhei nos últimos quatro anos. O juiz Sérgio Moro e a Lava-Jato inauguraram uma era. Os maiores empresários da nação, condenados e presos, apesar das gigantes bancas de advogados, tão bem simbolizados por Marcelo Odebrecht, Eike Batista, e Joesley Friboi, entre tantos outros; governadores na cadeia, como Sérgio Cabral, e outros que estão com a lei nos calcanhares; deputados os mais diversos condenados e presos, inclusive Maluf; presidente de Câmara, preso; um Senador, Aécio, que será denunciado, já afastado do mandato; um presidente em exercício, Temer, denunciado; Ministros presos, como Geddel e suas malas; além de doleiros, tesoureiros, e diversos outros. Além disso, a prisão em segunda instância está praticamente sem chances de ser revertida e o foro privilegiado tem discussão marcada para início de Maio, no STF, e sofrerá modificações.
Não, o sistema não está perfeito, nem otimizado. Ainda não passou a limpo o Judiciário; há políticos que escapam; punições que não nos parecem suficientes; mas há uma mudança nítida na percepção de combate a corrupção. Nunca antes na história desse país tivemos um combate tão firme, uma Sociedade tão mobilizada, nem a exposição tão franca, dos culpados.
Há erros, exageros, que precisam ser contidos, ações pontuais inadequadas- vide, o suicídio do Reitor, em Santa Catarina, a qual, até agora, nem a PF, nem a juíza responsável, apresentaram provas ou pediram desculpas a Sociedade-, mas avançamos a nível que jamais imaginamos. Por fim, a prisão de Lula, que não mobilizou as multidões, como se esperava, em sua defesa, e que vai se confirmando como fato consumado, sinalizou que ninguém está acima da lei.
Há idas e vindas, freio de arrumação pontual, mas é hora de ser otimista, acreditar, continuar cobrando. Retroceder nunca, render-se jamais!
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César Oliveira - 13 de Abril de 2018 | 22h 57
Ao tomar posse, essa semana, Colbert, deu início a realização de um sonho acalentado em sucessivas eleições, de tornar-se prefeito de Feira, assim, como foi seu pai, Colbert Martins, considerado um dos grandes líderes que o munícipio já teve. Experimentado como parlamentar, Colbert, não tem a mesma experiência no executivo, mas contará com o auxílio da equipe de Ronaldo, que deve permanecer- para o bem e para o mal- e que tem amplo domínio da máquina pública.
Colbert tem vários desafios à frente:mostrar que tem liderança própria; que é capaz de administrar Feira, com ideias originais; fazer um governo que tenha identidade, mesmo que limitado pela equipe que permaneçe; manter, ao mesmo tempo, a independência, sem afastar-se de Ronaldo; construir uma relação com a Câmara, maciçamente Ronaldista; mostrar capacidade de agregar e ter apoio popular, o suficiente, para que seu lugar na candidatura à Prefeitura, na reeleição, esteja garantido e não seja cobiçado, ou questionado, pelos vários aliados.
Colbert tem a faca e o queijo para fazer um bom mandato.