José Ronaldo, além de vencer a desconfiança deixada pela fuga de Neto, a divisão das oposições, ainda, terá de vencer o preconceito, o nariz empinado, o elitismo soteropolitano, a soberba da elite dominante que sempre achou que a " Bahia" era a capital, contra um político radicado exatamente no interior menos glamouroso do Estado.
É a velha Bahia torcendo o nariz contra um administrador, não por ser bom ou ruim, mas por ser sertanejo.
Durante 18 anos o transitado e julgado da Constituição permitiu a prisão em segunda instância, no STF. Apenas em 2009, o STF - não é difícil entender o porquê-.mudou esse entendimento e passou a permitir apenas após a quarta instância, alimentando uma monumental indústria recursal. A nação ainda não prestava atenção ao que fazia os Ministros da Suprema Corte.
Em 2016, o STF, voltou ao leito natural, retomando a tradição que sempre vigorou no Direito brasileiro e na maioria absoluta dos países mais civilizados do mundo, permitindo a prisão após condenação em segunda instância. Agora, a banda de Ministros que quer soltar condenados, apoiando em tosco garantismo, tenta por todos os meios derrubar a decisão do Supremo.
É preciso resistir.
Evidente que até as pedras do Pelourinho sabem que AMC Neto não desistiu da candidatura ao governo por amor ao povo de Salvador, afinal, nenhuma pesquisa nova foi feita à meia-noite do dia anterior quando ele ainda alimentava a ideia de que seria candidato.
Talvez nunca saibamos quais as reais condições objetivas para campanha lhe faltaram para que ele optasse pela segurança do mandato de prefeito ao invés da feroz batalha contra o governador Rui Costa. De qualquer modo, sua escolha foi um tsunami eleitoral. Não são poucos os partidários, prefeitos, lideranças, que escolheram não marchar ao lado do governo do PT, sabendo que contariam com um candidato competitivo, e que repentinamente viram-se sem abrigo, afinal, o sucessor indicado não têm a mesma liderança estadual, vitrine, família e mídia que ele tinha.
Para complicar, Neto, ao sair, não negociou a sucessão, permitindo que antigos aliados lançassem mais duas candidaturas, ao governo, incluindo aí o PSDB, de João Gualberto, completando a cereja do bolo do desastrado movimento. A missão foi dada a José Ronaldo, experimentado político, de Feira, e que tem uma obra significativa a ser mostrada. A ele caberá, além de enfrentar Rui, reconstruir a aliança de partidos- que sabem que não irão longe isoladamente-, o que demanda acordos e esforço extra.
É certo que a Lava-Jato ainda pode fazer estragos na política baiana, e alterar todos os prognósticos, mas Rui Costa sai na frente. Trabalha, com todo poder gravitacional do Estado, enquanto os adversários ainda se aquecem para entrar em campo. Neto, evidente, pagará o preço da desconfiança no futuro. Sobre vitórias e derrotas faria bem ler as 1000 páginas da biografia de Churchill. Seria inspirador.
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Não acho que Moro errou ao oferecer chance de Lula se entregar, a PF, dando=lhe um prazo. Tivesse feito operação surpresa estaria sendo crucificado, exatamente por isso.
A concessão feita, apesar de que a lei tem de ser igual para todos, foi ato de respeito a dignidade do cargo que ocupou. É essa ação civilizatória, simbólica, que nos separa da barbárie alheia, de qualquer um, que esteja do outro lado da lei.
Ao mesmo tempo, de forma inteligente, passou a bola a Lula, em jogada de perfeita, ao contrário do que dizem. Ao não aproveitar a oferta, Lula, valida e se torna responsável por tudo que acontecer e não Moro e a PF, que não podem ser acusados de não terem ofercido ao ex-presidente uma chance de cumprimento a lei e respeito a Justiça.
Ao final, sem a violência que daria uma narrativa ao partido, restará cumprir a lei.