Um dos órgãos da Prefeitura de maior relevância para a comunidade, o Procon realizou uma fiscalização importante, esta semana, no setor farmacêutico, ramo comercial em extraordinária expansão no município. A equipe comandada pelo superintendente Maurício Carvalho atacou uma ação irregular por parte das empresas, tendo como alvo, nós, consumidores: a solicitação, sob pretexto de oferecimento de desconto, do CPF do cliente.
Conforme o Procon, vincular a concessão de descontos no preço à informação de dados pessoais configura "venda casada, uma conduta abusiva expressamente proibida pelo Artigo 39, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor (CDC)". Segundo o órgão, a permissão seria legítima apenas no caso de abertura de cadastro ou registro de dados de consumo, conforme a recém-promulgada Lei Estadual de número 15.179/26.
O que diz o superintendente do Procon: "O consumidor não pode ser penalizado financeiramente ou obrigado a abrir mão da privacidade de seus dados para obter um preço justo. Nenhuma farmácia pode exigir o CPF do cidadão sob o argumento de que só assim ele terá direito a um desconto promocional. A legislação é muito clara: o fornecimento de dados não pode ser uma moeda de troca forçada. O estabelecimento comercial até pode solicitar o cadastro para traçar o perfil do cliente, desde que isso seja feito de forma transparente, com o consentimento livre e respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados".
Notificadas, as farmácias deverão fixar, em locais de fácil leitura, cartaz informando que “fica proibido exigir do consumidor o seu CPF no ato da compra que condiciona a concessão de determinadas promoções”. Quem não cumprir a medida estará sujeito a multas e outras penalidades previstas em lei.
Também esta semana, o Procon notificou duas agências bancárias feirenses. Santander, na avenida Getúlio Vargas e Bradesco, na rua conselheiro Franco, ambas no Centro, sofreram "autos de constatação" por descumprimento da Lei Municipal que determina tempo de espera para atendimento, fixado em 15 minutos para o caixa e 25 nos demais setores. Os processos serão encaminhados ao departamento jurídico "para as respectivas decisões condenatórias".
O Procon cumpre o dever. Consumidor sofre, em Feira de Santana, os mais diversos abusos, em vários segmentos, no comércio ou prestação de serviços. É preciso um trabalho de campo ainda mais presente e atento.
Envolvido em um acidente automobilístico com vítima fatal, em que acabou preso, o ex-vereador Paulão do Caldeirão está dando sinais de que a sua carreira política não está encerrada, diferentemente do que se cogitou após a tragédia. O veículo que ele dirigia atingiu a motocicleta conduzida por Marlon da Silva Sena, 23 anos, na avenida Eduardo Froes da Mota, na noite de 5 de outubro do ano passado. O jovem morreu no local e seu acompanhante sobreviveu.
A situação de Paulão complicou-se principalmente diante de informações passadas por policiais de que o ex-vereador apresentava "sinais de embriaguez" e também teria fugido do local, sendo perseguido e alcançado por militares. Preso em flagrante, passou meses no Conjunto Penal de Feira de Santana, até que em dezembro de 2025 o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou a soltura do ex-vereador, concedendo-lhe liberdade parcial, sob medidas cautelares. Ele nega que estivesse sob álcool e sua defesa sustenta sua inocência no ocorrido. O caso continua na Justiça, que ainda não se pronunciou em definitivo.
Nos últimos dias, a imprensa especulou o retorno de Paulão à Câmara. Ele é primeiro suplente do PP, legenda do vereador Pastor Valdemir, que está sendo cotado para assumir a Secretaria Municipal de Agricultura. Informação do blog O Protagonista: "Valdemir confirmou que a hipótese de integrar o governo municipal chegou a ser discutida há alguns meses. Segundo ele, as conversas ocorreram meses atrás, mas não evoluíram para uma definição. De acordo com o parlamentar, apesar da existência do diálogo, não houve avanço suficiente para que ele deixasse o mandato na Câmara Municipal e assumisse uma secretaria". Onde tem mato, tem coelho.
Apenas para relembrar, Paulão, até pouco tempo um fenômeno de audiência no YouTube e com grande número de seguidores nas redes sociais, com o seu "Caldeirão", não conseguiu a reeleição nas eleições de 2024 por uma diferença de apenas 13 votos. Seu desempenho foi expressivo, com 4.613 votos. Nesta quinta, conforme divulgado pelo Rota da Informação, o radialista anunciou apoio ao pré-candidato a governador ACM Neto, conseguindo um espaço interessante na mídia. A expectativa era de que ele defenderia Jerônimo Rodrigues, com quem esteve alinhado desde o pleito de 2022, quando o petista conquistou o Palácio de Ondina.
O então vereador, embora ronaldista, marchou com Jerônimo diante de compromissos firmados com o governador da época, Rui Costa, a exemplo da pavimentação da estrada do distrito de Jaguara, seu principal reduto eleitoral. Os veículos de comunicação informam que esta mudança de candidato, por Paulão, é algo que ocorre sob a articulação do prefeito Zé Ronaldo. Confirmado o entendimento com o gestor, este fato reforça a hipótese de o suplente vir a assumir uma cadeira no Legislativo Municipal.
O pré-candidato a deputado estadual Tom, o candidato ao Senado João Roma e a mulher dele, deputada federal Roberta Roma, que busca a reeleição - todos terão o apoio de Paulão - também se mobilizaram por este acordo. Paulão justifica a mudança de candidato a governador reclamando da segurança pública e do sistema de regulação hospitalar, grandes gargalos da gestão petista. Mas este é apenas o pano de fundo. O que está em jogo mesmo é a possibilidade real de um mandato de pouco mais de dois anos na Câmara, projeto que pode, sim, ser concretizado.
No dia 29 deste mês, ele tem mais um capítulo da bem sucedida, até aqui, movimentação política de bastidores, visando dar uma guinada em sua trajetória, atingida de forma avassaladora pelo acidente com vítima fatal. Vai promover um mega-encontro na casa de shows Ária Hall, para apresentar os nomes com os quais irá marchar em outubro, ao grupo político. Pretende reunir, neste evento, ACM Neto, Zé Ronaldo, o ex-ministro e candidato ao Senado João Roma, deputada federal Roberta Roma e o pré-candidato a deputado estadual Tom. O acontecimento poder ser decisivo para o seu retorno à Casa da Cidadania, que seria estratégico, para ele, em busca da conquista de um novo mandato de quatro anos em 2028.
Quem acompanha a política em Feira de Santana e,
principalmente, o movimento pré-eleitoral de candidatos e seus apoios,
surpreendeu-se, esta semana, com o anúncio, pelo presidente do diretório
local do PT, Adriano Costa, de que irá marchar com Ivoneide Caetano, e não Zé
Neto, para a Câmara Federal.
É, de fato, difícil imaginar que o dirigente petista em
Feira, eleito para o cargo em disputa com Urânia Santa Bárbara, não esteja
alinhado com Zé Neto, indiscutivelmente, o nome mais expressivo da
legenda, na região.
Jovem e promissora liderança petista, Adriano explicou ao radialista
Nivaldo Lancaster, do Boca de Forno News,
que "nós já não caminhávamos com Zé Neto". É verdade. Ele diz que,
desde a eleição nacional anterior, em 2022, esteve com outro candidato, o
ex-prefeito de Alagoinhas, Joseildo Ramos. Mas, meu caro, à época você ainda
não havia sido alçado ao posto de presidente local do partido, sob as bênçãos
de Neto.
E quem conhece o deputado sabe que, muito provavelmente, ele
não sabia que estava ajudando a eleger um dirigente que, nessas eleições,
escolheria outro candidato para representar o seu grupo em Brasília. Dificilmente,
Neto estimularia a vitória de Adriano, nessas condições.
Buscando minimizar o quadro, o presidente diz que a decisão
de apoiar a deputada Ivoneide não representa "rompimento" com o
parlamentar feirense. Claro que não. Mas que Zé Neto não vai ficar nada satisfeito
com isto, pode apostar!
Na entrevista a Nivaldo Lancaster, Adriano revela que a
decisão foi construída ao lado de lideranças como Júlia Oliveira, "a
mulher candidata a vereadora mais votada da história do PT de Feira de Santana,
com 3.425 votos"; e Jader Dourado, integrante da Executiva Estadual do PT
e coordenador do Programa de Governo Participativo (PGP) do Governo Jerônimo
Rodrigues.
Isto quer dizer que ambos seguem o mesmo caminho, o
"não" a Zé Neto para federal. "Nosso grupo avaliou a importância
de trazer uma deputada que atuasse mais (do que Joseildo) em Feira de Santana.
Ivoneide se colocou à disposição, nós avançamos na conversa e resolvemos
apoiá-la. Saímos de Joseildo e fomos para Ivoneide". Ou seja: o deputado
feirense, de batismo e domicílio eleitoral aqui, não seria nem o primeiro
reserva do time de Adriano. Não entra em campo mesmo com a saída do
titular.
PARA SERVIR DE CONSOLO
Mas há um consolo, ou melhor, dois, para o deputado. O
primeiro é que, segundo o dirigente petista, há integrantes de seu grupo
político que continuarão votando nele para deputado federal. "Vamos ter
dobradinha de Osni Cardoso com Zé Neto, em Feira de Santana. Vamos ter pessoas
do nosso grupo que também votarão em Zé Neto".
O segundo é quando ele promete que "o alinhamento com
ele continua", com vistas a um outro projeto, o de candidato a
prefeito: "Seguimos mantendo um diálogo muito bom. Vamos continuar
contribuindo para que ele seja, se assim desejar, nosso candidato a prefeito em
2028".
PARA BONS ENTENDEDORES...
Nas entrelinhas de sua entrevista ao Boca de Forno News, o presidente do PT de Feira justificou a sua
opção: "A política é construída também a partir de afinidades
programáticas e dos grupos internos da legenda. Muitas vezes o candidato, por
mais que seja da terra, não se alinha com todas as pautas que defendemos ou não
faz parte do grupo político. No PT, nós somos organizados por grupos, e esses
grupos também fazem suas escolhas".
SOBROU TAMBÉM PARA
ROBINSON
Igualmente preterido pelo grupo de Adriano, Robinson
Almeida, candidato apoiado por Neto à reeleição na Assembleia Legislativa e
que, a exemplo do deputado federal, contribuiu para a eleição dele à direção do
PT. O seu candidato a deputado estadual será Osny Cardoso, este, representante
de Serrinha, que tenta renovar o mandato.
A relação com Osny vem de 2018, quando o ajudou a se eleger
para a AL, repetindo a dose em 2022, assumindo, inclusive, a coordenação da
campanha. Exerceu ainda o cargo de chefe de gabinete quando o deputado
foi secretário de Desenvolvimento Rural do Estado.
QUEM COM FERRO FERE...
Pedi a Neto, pelo WhatsApp, que ele comente esta decisão do
presidente do PT. Sempre muito atencioso à coluna, o atuante deputado, de
inquestionável trabalho por Feira, ainda não respondeu. Inteligente e maduro,
não deverá, publicamente, manifestar qualquer contrariedade. Internamente, no
entanto, certamente, esta é uma situação que deve deixá-lo desconfortável.
O deputado não pode reclamar muito. Ele mesmo apoia Robinson, para estadual, sendo o ex-secretário de Comunicação do Governo do Estado um político com raízes fincadas em Salvador, mesmo havendo em Feira a candidatura do bom vereador Sílvio Dias para a Assembleia.
Zé Ronaldo e Jerônimo Rodrigues vivem a primeira crise pública, em seu relacionamento, em virtude da campanha eleitoral, ainda não deflagrada oficialmente. Em evento político para promover a pré-candidatura do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, o prefeito de Feira de Santana criticou o sistema de regulação hospitalar, de responsabilidade da Secretaria de Saúde do Estado. O governador não gostou do tom e respondeu por meio da imprensa.
O chefe do Executivo Municipal chamou a regulação de "fila da morte", ao criticar a longa espera a que são submetidos pacientes que aguardam, nas Unidades de Pronto Atendimento, policlínicas e em pequenos hospitais do interior, por leito em assistência de alta complexidade. De fato, há registros de óbitos, por falta imediata de vaga.
A resposta do governador: “conversei com ele um ano e meio. Nunca me tratou dessa forma. Não dá pra ter duas motivações de relacionamento. Eu aprendi isso em casa. Quando o negócio não dá, vamos fazer com a delicadeza que o tempo exige. Mas a gente não pode ficar uma hora sentado na mesa e depois cuspir no prato. Dessa forma eu não concordo, eu não aprendi e não vou fazer política dessa forma”.
Na entrevista concedida antes do PGP (Programa de Governo Participativo) em Ribeira do Pombal, no domingo, o governador aproveitou para criticar o prefeito pela ausência de um hospital municipal: "A gente, pra fazer crítica ao opositor, precisa fazer o dever de casa. Como é que uma pessoa, um grupo que nunca fez um hospital, abre a boca agora para dizer isso?”.
Jerônimo mostrou estar decepcionado com as críticas feitas pelo prefeito. Disse que se relacionou com ele "durante esse um ano e meio buscando atender as demandas de Feira de Santana". E que falou diversas vezes que, "se pudesse caminhar comigo, seria uma alegria, mas isso não impediu de forma nenhuma uma relação diplomática, educada e amadurecida, sempre de respeito a ele e à história dele”.
Vamos agora à análise deste debate. Em política, a relação institucional não é vinculada à campanha eleitoral. Ao atacar a regulação hospitalar, um problema reconhecido em todo o Estado, Ronaldo não falta com o respeito ao governador. Do mesmo modo, Jerônimo não ofende o prefeito quando critica a assistência básica local da saúde e a falta do hospital municipal. As duas ações fazem parte do processo político e não maculam, absolutamente, o bom diálogo de ambos, no passado próximo, sobre temas de interesse comum.
Campanha é campanha. Ronaldo e Jerônimo encontram-se em campos opostos e, evidentemente, vai haver críticas na esfera administrativa, lado a lado. O que Ronaldo não deve fazer, e por enquanto não aconteceu, é negar que Jerônimo apoiou iniciativas da gestão municipal, nesse período, ou que dificultou o seu contato com o Estado. Nesse caso, estaria cometendo ingratidão.
A comparação feita pelo governador, ao afirmar que o prefeito "cuspiu no prato que comeu", não está adequada ao cenário. Não cabe em uma alusão ao relacionamento institucional que protagonizaram durante o ano e meio a que ele se referiu.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já enfrenta problemas muito sérios com a Justiça, condenado e preso, por tentativa de golpe de Estado, arranjou mais uma encrenca recentemente. Ou melhor, arrumaram uma encrenca para ele, agora, de ordem familiar. A briga de sua mulher, Michele, com o filho dele, Flávio, o senador, que ele ungiu pré-candidato a presidente da República, é um problema e tanto, pra quem já está no fundo do poço.
Volto ao tema porque a imprensa divulga hoje um fato novo, dos bastidores: Bolsonaro não quis se meter na briga entre filho e esposa. Começo a análise dizendo que o ex-presidente está absolutamente correto. Não dá para se envolver em confusão pública de duas figuras tão próximas. Vai dizer o quê? Se defende Flávio, desagrada a mulher. E se faz algum pronunciamento em favor de Michele, vai ser mal visto pelo filho. Não é prudente ficar calado?
É roupa suja pra se lavar em casa, não dá pra levar a uma lavanderia. Bolsonaro, que normalmente vai muito mal na avaliação das coisas, com suas opiniões às vezes insensatas, às vezes toscas, tem uma postura razoável, nesse caso. O seu silêncio evita que o assunto tenha uma repercussão ainda pior.
Não posso deixar de acrescentar algo. Filho e esposa travam uma briga pelo poder e fazem a vida do ex-presidente de tornar um inferno ainda mais ardente - se é que isto seja possível, a alguém que já se encontra em uma situação tão delicada. Michele e Flávio deveriam respeitar o quadro caótico em que vive Jair Bolsonaro, cumprindo prisão domiciliar, doente e com perspectivas sombrias, evitando lhe trazer transtornos.
A liderança política na família não é, ou não deveria, ser exercida por Michele, nem por Flávio. Ambos são produtos da popularidade do ex-presidente. Portanto, se Jair optou pelo filho e não a esposa, para apresentar como seu candidato ao Palácio do Planalto, ela deveria, até pela natureza religiosa de sua personalidade, acompanhar o marido e ajudá-lo na empreitada. Bem, isto não significa que Michele deve curvar-se ao candidato. Mas será mesmo que ela se dispôs a colaborar?
Nestes cenários, o caminho a seguir é muito simples: se não quer ou não pode ajudar o esposo, no projeto de tentar eleger o filho, que ao menos não atrapalhe. Flávio, por sua vez, jamais deveria, diante de uma eventual falta deste apoio, maltratar a esposa do seu pai, como reclamou Michele e deve ter ocorrido, de fato. Na verdade, maltratar, não se deve, qualquer que seja a alegação, homem ou mulher. Bolsonaro e a mulher sempre elevaram o conceito de família, defendendo a sua unidade. Pelo visto, porém, eles não fizeram grandes esforços por isto.
A "humilhação" que teria sido cometida por Flávio, segundo a própria Michele: “Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”. Ao que tudo indica, Flávio e Michele travaram um embate de nível colegial, como se fossem estudantes do ginásio, em atrito por causa de algum trabalho escolar.
Ao expor publicamente a contenda, gravando vídeo muito bem articulado, a ex-primeira-dama conduziu Flavio - o senador já se encontrava abalroado pelo escândalo dos milhões recebidos do Daniel Vorcaro supostamente como patrocínio do filme biográfico de Bolsonaro - a uma situação ainda mais crítica nas pesquisas.
Antes de Flávio e de Michele tentarem arruinar seu projeto político, Bolsonaro já havia enfrentado problema com o outro filho, Eduardo, o "americano", que o xingou: "V.T.N.C. seu ingrato do caralho". Quem tem filhos e esposa que agem assim, não precisa de inimigos.