O excelente radialista e jornalista feirense Elsimar Pondé, que realiza há anos brilhante trabalho em emissoras do Grupo Lomes, me solicitou uma breve análise das perspectivas feirenses, de momento, para as candidaturas locais nas eleições de deputado federal e estadual, em outubro próximo. Ele apresentaria a minha opinião em programas jornalísticos que comanda diariamente, sempre com grande audiência. Tive a honra de dividir com Elsimar a bancada do programa jornalístico Subaé Notícias, da Rádio Subaé. É um profissional do mais alto nível e com quem muito aprendi, durante nossa convivência em um mesmo estúdio. Não poderia deixar de fazer este registro, antes de entrar no tema. Isto posto, et voilá.
Não vejo alterações significativas nos cenários, em relação aos pleitos de 2018 e 2022, especialmente na disputa por vaga na Assembleia Legislativa. Temos várias pré-candidaturas postas, que devem ser confirmadas nas convenções partidárias, em breve.
Em outubro próximo, no grupo do prefeito Zé Ronaldo, devem concorrer os vereadores Jurandy Carvalho (PSDB), Pedro Américo (Cidadania) e Lulinha (União Brasil), todos vinculados ao grupo do prefeito Zé Ronaldo. Se estão no jogo, evidentemente tem chances, mas nenhum deles é considerado favorito. José de Arimatéia (Republicanos) busca reeleição, o que é bem provável ocorrer, com o apoio maciço da Igreja Universal nesta região. Outros ronaldistas estão na briga.
O ex-deputado Tom tem apoio de segmentos evangélicos que podem, mais uma vez, colocá-lo na Assembleia. O ex-prefeito Colbert Filho, por sua história e experiência, também é competitivo. Há, ainda, o nome do médico Thiago Gileno (Republicanos). Filho da terra, iniciou a carreira política bem longe daqui, sendo prefeito de Ponto Novo. Agora com domicílio eleitoral em Feira, é candidato local e visto pelos especialistas como forte concorrente.
Do lado do governador Jerônimo Rodrigues, se apresentam Ângelo Almeida, que tentará renovar o mandato, e o vereador Sílvio Dias, ambos do Partido dos Trabalhadores. Ângelo tem bem mais possibilidades. Sílvio, um influente policial rodoviário federal, tem viajado bastante e pode, sim, buscar uma vitória. Ambos seriam muito mais fortes se contassem com o apoio de Zé Neto, maior liderança do PT na região.
Todavia, o parlamentar apresenta aos feirenses, mais uma vez, o deputado Robinson Almeida (PT), a quem prefere apoiar, em vez de ajudar a eleger um quadro local. O ex-vereador Jhonatas Monteiro, do PSOL, deverá ser candidato mais uma vez. Enfrenta as dificuldades naturais do partido, que não consegue deslanchar em bancadas estadual e federal, mas é um nome sempre muito competitivo e pode surpreender.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, Zé Neto vai tentar conquistar o seu terceiro mandato. O petista vem de destacada participação na eleição municipal, em que perdeu por muito pouco para o arquirrival Zé Ronaldo. É muito forte e deve ser um dos mais votados da legenda. O outro feirense de destaque no time do governador Jerônimo é o coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar (PT). Ele também é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, “Conselhão”, e do Conselho de Participação Social, ambos do Governo Lula. Entre 2015 e 2016, fez parte do Conselho de Administração da Petrobras, representando todos os trabalhadores. É um nome com boas chances de vitória e deverá reduzir votação de Zé Neto em Feira.
Pelo grupo de Ronaldo, seriam, em princípio, dois pretendentes a federal: o vice-prefeito Pablo Roberto e o empresário e persistente Zé Chico. O ex-presidente do Fluminense de Feira vai para sua terceira tentativa, enquanto Pablo desistiu da empreitada, mas não irá apoiá-lo, devendo marchar com alguém de fora. Mesmo assim, Zé Chico, pela primeira vez, será candidato "único" de Ronaldo e, portanto, são reais as suas chances. Nesta segunda-feira, o jornalista Jair Onofre divulgou no "Bahia na Política" outras três pré-candidaturas a deputado federal que surgem agora, quase ao apagar das luzes: os ex-vereadores Isaías de Diogo e Pedro Cícero, mais o ex-candidato a vereador Ivan de Vavá, todos pelo PDT. Seria uma grande surpresa, a eleição de um deles.
Em seus melhores tempos nas urnas, Feira de Santana chegou a ter quatro, até cinco deputados estaduais, e quatro federais. Nos últimos anos, porém, não passamos de três representantes locais na Assembleia Legislativa e no máximo dois em Brasília. Esta próxima disputa por cargo legislativo nos permite sonhar em voltar a ter pelo menos uma dupla na Câmara Federal, com fortes esperanças de alcançar até três representantes. Na Assembleia Legislativa são boas as probabilidades de Feira de Santana emplacar três deputados ou até quatro, no cenário mais otimista.
Os saudosistas dos bons tempos já devem estar habituados com as dificuldades de eleição de políticos locais. São dezenas os candidatos de outros centros que disputam, voto a voto, o eleitorado feirense. Os próprios vereadores, maiores cabos eleitorais, "importam" esses nomes, alguns deles atingindo aqui expressivas votações. É algo que já está enraizado e que, pelo visto, não tem mais volta. A solução é o candidato local também gastar sola de sapato, Bahia afora.
"Um passo histórico". Assim está sendo chamado, pela Prefeitura de Feira de Santana, o novo Plano Municipal da Juventude, válido para o decênio 2026-2036. Anunciado como "consolidação das políticas públicas para os jovens", o programa, alinhado ao Estatuto da Juventude e ao Sistema Nacional de Juventude (SINAJUVE), realmente apresenta um conjunto de propostas que, uma vez executado, poderá impactar positivamente no futuro de uma camada numerosa de cidadãos na faixa etária de 15 a 29 anos.
O Plano estabelece "diretrizes, objetivos estratégicos e ações integradas que irão nortear as políticas municipais destinadas à população jovem pelos próximos dez anos". É uma articulação do Departamento da Juventude, vinculado à Secretaria de Políticas Para Mulheres. A propósito, faço uma sugestão: o departamento está no lugar errado. Como não se trata de algo voltado exclusivamente para a mulher, deveria estar alojado em uma secretaria neutra. Não parece óbvio?
O foco é fortalecer a garantia de direitos e ampliar oportunidades de desenvolvimento social, educacional, profissional e cultural. Tais avanços consistem, de acordo com o estabelecido, na ampliação do acesso à educação de qualidade, profissionalização, trabalho e renda, promoção da inclusão digital, saúde integral, cultura, esporte e até "sustentabilidade, fortalecimento da participação social e segurança cidadã".
Trocando em miúdos, o objetivo é ofertar serviços como reforço escolar, preparação para o ENEM, orientação vocacional, acompanhamento psicossocial, cursos profissionalizantes, acesso a tecnologias digitais, ferramentas de Inteligência Artificial, ambientes virtuais de aprendizagem e atividades voltadas à inserção no mercado de trabalho.
Cerca de 500 jovens devem ser atendidos anualmente com oferta de cursos, oficinas, simulados, aulões de revisão e transmissão ao vivo de todas as atividades formativas, "garantindo acesso também aos estudantes da zona rural e de comunidades quilombolas". O número parece ser bastante tímido, em um universo de dezenas de milhares de pessoas na faixa de idade assistida.
Na área de trabalho, são várias as alternativas previstas, a partir dos programas Primeiro Passo Feirense, Geração Feira e Treinar para Empregar Feira, voltados à qualificação profissional, intermediação de vagas, aprendizagem, estágio, empreendedorismo e desenvolvimento de competências alinhadas às vocações econômicas do município.
Vários outros projetos devem ser criados ao longo do tempo de execução do Plano: Transform@Feira (funcionará como um "espaço multifuncional de formação, inovação e desenvolvimento integral da juventude"), Rede Feira Jovem Participa, Escola Municipal de Lideranças Juvenis, Observatório da Equidade Juvenil, Jogos da Juventude, Arraiá da Juventude e Feira Juventude Digital, que promoverá formação em competências tecnológicas, programação, audiovisual, robótica e uso ético da internet.
Também prevê medidas direcionadas à valorização da diversidade, promoção dos direitos humanos, fortalecimento da saúde mental, ampliação das atividades esportivas e culturais e incentivo à participação dos jovens nas decisões públicas. Perdoem-me, caso tenha repetido alguma coisa já descrita lá atrás.
É grande o desafio do Departamento da Juventude, órgão municipal responsável pelas diversas ações previstas no Plano. A Prefeitura informa que as ações serão executadas "de forma intersetorial, envolvendo diversas secretarias municipais, o Conselho Municipal da Juventude, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e demais parceiros estratégicos". Haverá, e isto é fundamental, "mecanismos permanentes de monitoramento e avaliação, incluindo relatórios anuais, avaliações bienais participativas e um painel público de indicadores".
Bem, no papel, temos algo realmente promissor. Vamos esperar que seja eficiente, a gestão de tudo isso. É preciso ver, em princípio, qual a previsão de aplicação de cada um desses projetos. Já sabemos quem tem o dever de fiscalizar e de executar. Mas é necessário ter uma ideia temporal para a cobrança, caso necessário, da aplicabilidade do extenso pacote de medidas.
Mais uma desapropriação de imóvel de relevância para a cidade
está sendo anunciada pelo prefeito Zé Ronaldo. Esta manhã, em entrevista
coletiva, ele divulgou que o centenário prédio da Sociedade Filarmônica
Vitória, localizado na Rua Conselheiro Franco, será adquirido pelo Município. O
objetivo é igualmente nobre: proporcionar às diversas academias culturais de
Feira de Santana que ali possam instalar as suas respectivas sedes.
Na edição deste sábado, será publicado o ato declarando o
casarão de utilidade pública para fins de desapropriação. Dias atrás, o chefe
do Poder Executivo desapropriou o antigo Hotel Caroá, que funcionará
futuramente como Centro Administrativo da Prefeitura, abrigando várias
secretarias governamentais.
A coletiva para anunciar a medida contou com as presenças de
secretários municipais, do presidente da Câmara, Marcos Lima, e de várias
personalidades do segmento cultural da cidade, a exemplo dos acadêmicos Dázio
Brasileiro, José Raimundo Pereira de Azevedo, Lélia Vitor Fernandes, Cláudia
Gomes, João Batista de Cerqueira, Alpiniano Reis de Oliveira Filho, José
Ângelo Pinto e dom Itamar Vian, também arcebispo emérito metropolitano.
O ato foi prestigiado ainda por representantes de classes
produtoras Luiz Mercês Júnior (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Getúlio
Andrade (Sindicato dos Hotéis) e Genildo Melo (Associação Comercial) e Renê
Becker (contabilistas). Aplausos para o prefeito e seu secretário de
Planejamento, Carlos Brito, mentor da proposta, acolhida pelo alcaide.
O Palácio das Academias vai abrigar as seguintes organizações
culturais: Academia Feirense de Letras, Academia de Educação de Feira de
Santana, Academia de Letras e Artes de Feira de Santana, Academia Metropolitana
de Artes e Letras e Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana.
Fundada em 20 de julho de 1873 pelo padre Ovídio de São Boa Ventura, a
filarmônica estaria prestes a completar 153 anos.
A Filarmônica Vitória teria registrado o prédio como seu
patrimônio em 18 de setembro de 1894, há 132 anos. O saudoso jornalista Adilson
Simas registra, em um de seus artigos sobre a história da cidade, que
"fatos marcantes" são encontrados nos livros de anotações da
entidade. Lembrou de três, dos inúmeros eventos:
Em 1897, coube a Vitória homenagear aqueles que retornaram da
Guerra de Canudos; em 1924, foi incluída na programação que marcou a
inauguração do palacete do coronel Agostinho Fróes da Motta; em 1927,
juntamente com a Filarmônica 25 de Março, abriu o desfile estudantil que
antecedeu a inauguração da escola Normal de Feira de Santana; em 1973, ano em
que a cidade comemorou seu centenário de emancipação política, realizou o
"Baile dos Artistas", que abria oficialmente a tradicional
micareta.
Desde 1979, após reforma realizada pelo então prefeito
Colbert Martins, o clube passou a patrocinar "as mais concorridas
serestas da cidade", iniciativa que Antonio Caribé, o falecido Tuíta, se
encarregaria de dar continuidade". Em março de 2021, o jornalista Jânio
Rego informou no "Blog da Feira" que sumiu o brasão da fachada do
prédio.
É uma ação concreta do Governo Municipal no trabalho de
preservação da memória arquitetônica e cultural de Feira de Santana. O imóvel
de aproximadamente 1.350 metros quadrados estava praticamente abandonado, pois
a Filarmônica Vitória encontra-se sem diretoria desde que faleceu seu último
presidente, o advogado e ex-vereador Celso Daltro.
O valor a ser desembolsado pela gestão municipal deverá ser simbólico, com depósito provavelmente em juízo, pois embora a instituição esteja em inatividade e sem representação, legalmente ainda existe. O prédio não corre risco de desabar, mas precisará ser reformado para acomodar as academias. Não há ainda uma previsão de quando estará pronto, mas poderá ser ainda este ano.
A Secretaria Municipal de Serviços Públicos divulgou a instalação de papeleiras na rua Sales Barbosa. O projeto-piloto de instalação de lixeiras para resíduos recicláveis e não recicláveis é uma parceria com a Associação de Catadores da Rede Sol, para fortalecer a coleta seletiva. Vasos de plástico para receber como saco de pipoca, potinhos de sorvete, papel e palitos de picolé, bagas de cigarro, entre tantos outros materiais, são descartados em qualquer lugar por pessoas maleducadas. A prática deixa a cidade suja e uma péssima impressão.
A Sesp diz que, com essa nova iniciativa, quer manter o centro comercial "mais limpo" e apoiar o trabalho do pessoal que trabalha com o manejo dos recicláveis. Nesta primeira etapa, informa o órgão, estão sendo implantados 30 equipamentos ao longo da movimentada rua Sales Barbosa. Na sequência, a ação será estendida para as ruas transversais e, logo após, para o entreposto comercial Feiraguay.
O secretário Justiniano França informa que petende cobrir todo o Centro, a exemplo das avenidas Senhor dos Passos e Getúlio Vargas. Não somente as artérias centrais, secretário. Precisamos levar essa experiência também aos bairros, que são tão importantes quanto tais.
A separação dos resíduos na origem facilita a identificação e o recolhimento dos materiais pelos profissionais que atuam com a reciclagem. Adriano Santos, presidente da Associação de Catadores do Bairro Gabriela (Rede Sol), diz que a ação facilita a coleta seletiva: "Com a identificação, a população sabe onde depositar e nós passamos apenas recolhendo as embalagens".
Convenhamos, Feira de Santana não é uma cidade onde existe uma política pública permanente de coleta reciclável em suas ruas e avenidas. Várias tentativas já foram feitas pela Prefeitura, mas é algo que nunca atingiu plenamente os objetivos, nem teve durabilidade. Os diversos secretários que passaram pela pasta de Serviços Públicos não conseguiram ser bem sucedidos. As iniciativas esbarraram no que eles chamam de falta de civilidade de uma parte do povo feirense, que quando não vandaliza os coletores, não faz a menor questão de utilizá-los.
Na verdade, o problema não se resume a isto. Dá trabalho, mas é possível, sim, conseguir bons resultados, desde que a gestão municipal promova campanhas de sensibilização massiva, competente e estratégica. E a sociedade civil faça a sua parte. Alguém, em Feira, já viu uma das nossas emissoras de rádio realizando um trabalho institucional, iniciativa própria, divullgando em todos os horários de grande audiência?
Você já observou algum banner nos sites de notícias, sobre o tema? Entidades como CDL, Associação Comercial e outras desenvolverem projeto de apoio? Alguma das centenas de igrejas realizando atividade que possa ajudar?
O trabalho precisa chegar às escolas das redes pública e privada, através dos professores, levando a mensagem aos seus alunos. Um pai ou uma mãe que tem o maldito hábito de jogar no meio da calçada o resto de uma fruta ou de lanche pode se sentir constrangido se o filho, estudante, reagir a este gesto.
É importantíssimo que todas essas instituições deem a sua contribuição auxiliar na educação da nossa população quanto ao lixo que ela descarta na rua. A Prefeitura e as empresas, por sua vez, devem cumprir aquilo que lhes compete.
É claro que nossas autoridades tem a receita do sucesso. Não sabemos porque tais recursos não são utilizados. Uma conclusão parece óbvia: se o trabalho não for feito de maneira estratégica, organizada e compartilhada com os diversos organismos da sociedade, estaremos fadados a simplesmente tentar mais uma vez, sem alcançar o êxito almejado.
Em 26 de março deste ano, o jornal "O Globo", do
Rio, publicou uma nota informando que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e o
senador Jaques Wagner, teriam selado um acordo, em torno do escândalo do Banco
Master, de Daniel Vorcaro. Um não atacaria o outro. O pacto blindaria a ambos, mencionados no mesmo caso como
suspeito de receber vantagens financeiras junto ao banqueiro.
O tal acordo está sendo lembrado mais uma vez, nos últimos
dias, depois do mandado de busca e apreensão contra Wagner, suspeito de ter
recebido de propina um apartamento de 2,4 milhões para apoiar no Senado ações
que pudessem auxiliar Vorcaro e seus negócios com o banco.
As especulações acontecem diante da parcimônia de ACM, que
normalmente é agressivo em sua reação a notícias de adversários acusados de
corrupção.
Recentemente, por exemplo, questionado em entrevista à Rádio
Andaiá, de Santo Antônio de Jesus, sobre um "desafio" que lhe fora
feito por Rui Costa, para um debate, Neto reagiu como o enfrentamento de
costume:
"Eu já vou aproveitar para começar este debate agora.
Cadê os 50 milhões que o Governo do Estado colocou para compra de respiradores
e nunca recebeu? Na pandemia ele colocou 50 milhões de reais que
desapareceram".
Sobre o caso Wagner-Master, porém, nada disse em suas redes sociais e apenas se posicionou de forma protocolar, ao ser questionado pela imprensa: "Essa é uma questão que cabe ao Judiciário. O que nós esperamos é que a investigação seja completa, isenta, correta e que, ao fim, se há responsáveis e culpados, que sejam punidos. É aguardar para ver os desdobramentos que eventualmente isso pode ter".
Resposta pronta, aparentemente ensaiada e mais apropriada para a defesa de um aliado. É realmente incomum, especialmente para alguém do seu perfil, desperdiçar oportunidade como essa, de atacar um adversário político com flancos escancarados.
A declaração, quase manifesto de solidariedade ao drama do
senador, só se justifica sob a hipótese de que houve, realmente, um acerto
entre eles. Afinal, devemos lembrar, o ex-prefeito, embora não tenha sido alvejado
por uma rajada tão violenta quanto a que atingiu Wagner, está também enrolado
com o Master.
A imprensa divulgou amplamente que documentos entregues pelo
banqueiro Vorcaro à Receita Federal apontam o pagamento de R$ 5,4 milhões a
Neto, por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025.
A empresa existe, é claro. Mas todos somos tomados de
surpresa. Afinal, alguém se recorda de já ter ouvido notícias de ACM Neto
estar envolvido com negócios de consultoria?
Nesse caso, uma consideração relevante parece ser inevitável.
Acordo desse nível, se for verdadeiro o entendimento entre Wagner e Neto, soa muito mais como espécie de confissão, de ambas as partes, do que qualquer
outra coisa.
A visão deles seria de que é bem melhor se pouparem, na busca da redução de danos em suas campanhas - cada um visando objetivo diferente, uma vez que não são, digamos, concorrentes diretos - do que um implodir ao outro.