Emancipado de Maria Quitéria em 2008, o distrito da Matinha é um dos mais carismáticos da Feira de Santana. Antigo refúgio de negros escravizados que fundaram ali um quilombo, o distrito pulsa cultura ancestral no samba, na ocupação do seu espaço, no plantio e na colheita e na simpática hospitalidade de sua população. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe uma interessante radiografia da comunidade.
Além da povoação que o denomina, – Matinha dos Pretos – o distrito é composto pelas comunidades de Olhos D’Água das Moças, Candeia Grossa, Jacu, Alecrim Miúdo e Ladeira. Sua extensão total alcança 62,48 quilômetros quadrados, com 169,18 habitantes por quilômetro quadrado. Hoje, o principal acesso ao distrito se dá pela BR 116-Norte.
Lá, em 2022, residiam exatas 10.571 pessoas. Havia 5.455 mulheres, além de 5.116 homens. A Matinha dos Pretos faz jus à condição de antigo quilombo: a população é composta por 5,8 mil pardos, e 4,3 mil pretos, o que totaliza 10,1 mil habitantes negros. Além deles, residiam 420 brancos. Não foram contabilizados amarelos ou indígenas na população.
A quantidade de pessoas alfabetizadas na Matinha é expressiva: 85,1% da população com idade superior a 10 anos. O percentual significa que 6,9 mil pessoas sabem ler e escrever e 1,2 mil não se alfabetizaram. Note-se que, no conjunto da Feira de Santana, esse percentual alcança 93,4%.
A Matinha – acompanhando a tendência de outras comunidades rurais Brasil afora – não abriga uma população jovem. A população com idade superior a 70 anos é só um pouco inferior à de crianças com até quatro anos de idade, entre homens e mulheres. Nos dois sexos, a maior fatia da população está na faixa entre 30 e 39 anos; na sequência, aparece o intervalo entre 40 e 49 anos.
Nos últimos anos a Matinha vem atravessando um intenso processo de urbanização do seu território. Em 2022 o censo já captava essa tendência: 4.222 (39,94%) pessoas residiam em áreas consideradas urbanas, enquanto 6.349 (60,06%) estavam nos tradicionais espaços rurais.
A urbanização do distrito tende a se intensificar no médio prazo. A prefeitura anunciou a extensão da avenida Fraga Maia, que contará com mais 4,6 quilômetros, estendendo-se até o acesso da Matinha. Com a intervenção, o distrito tende a se tornar mais urbano, sobretudo em função da expansão imobiliária que se projeta para a região.