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Valdomiro Silva

Pedido de desculpas de ACM Neto, após trauma de 2022, fortalece reaproximação com Ronaldo

VALDOMIRO SILVA - 01 de Abril de 2026 | 17h 40
Pedido de desculpas de ACM Neto, após trauma de 2022, fortalece reaproximação com Ronaldo
Foto: Divulgação

"Reconhecer que errou e que tomou como lição e aprendizado é evolução", disse hoje à Tribuna Feirense o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, ao analisar declaração do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato do União Brasil a governador, ACM Neto, que confessou ter cometido equívocos na campanha de 2022. Naquele ano, ele  tentou pela primeira vez chegar ao Palácio de Ondina, mas foi derrotado pelo atual governador, Jerônimo Rodrigues. O vice-presidente nacional do União deu a entender que cometera vários erros, mas especificou apenas um, referindo-se diretamente ao fato de não ter convidado Ronaldo para ser o seu vice. 

ACM Neto admite que os lapsos políticos cometidos concorreram para que ele perdesse uma eleição na qual despontava como favorito: "Tenho toda humildade para dizer, errei. Humildade para reconhecer que (Ronaldo) precisava estar ao meu lado naquela campanha de 2022. Olho para trás e vejo que, de alguma forma, esses erros contribuíram para o resultado daquela eleição". 

O prefeito de Feira pareceu bem mais leve, após o amigo e aliado político ter feito sua "mea culpa". Elogiou o gesto de humildade de ACM Neto. "É um grande avanço, aprendeu muito com a derrota e os erros cometidos". Profetizando, disse que ele será, agora, caso eleito, "melhor governador do que seria em 2022, quando estava  bem situado (nas pesquisas), para ganhar". Não venceu, acrescentou o gestor, "mas obteve 48% dos votos, número bastante expressivo, mesmo com os erros que foram cometidos". 

Logo após o pedido de desculpas público, algo que os rivais de ACM Neto dizem ele ter muita dificuldade de cumprir, o ex-prefeito da capital revelou os cuidados que vem adotando, nesta nova experiência, para não reincidir. "Tenho dividido (decisões) com colegas de partido, lideranças politicas que me acompanham. Não será por cometer os mesmos erros da (eleição) passada que não vamos ganhar desta vez". Disse que as precauções vem "corrigindo erros, proporcionando melhores decisões". Filosofando, assinalou que "se a gente espera um resultado diferente, precisa fazer diferente e melhor, como estamos fazendo agora". 

A posição de Zé Ronaldo nestas eleições, de se manter na oposição ou apoiar Jerônimo Rodrigues, foi guardada até o finalzinho de março, mas ela já havia sido anunciada ao pré-candidato do seu partido  há mais de 90 dias. ACM Neto relatou que  esteve o prefeito no fim do ano, em  conversa "muito franca e amiga" em sua casa, para "sentir qual o pensamento dele da possibilidade de disputar a eleição em 2026". Trocando em miúdos, queria convencê-lo a ser o vice de sua chapa, o que lhe negou em 2022. Então, diz ter visto  "o quanto este homem ama Feira e é de palavra". 

Ronaldo deu a ele a mesma justificativa apresentada nas entrevistas. "Me comprometi com o povo de Feira que não renunciaria, ficaria até o fim, governaria os quatro anos. Não posso faltar com essa palavra, voltar atrás deste compromisso". ACM Neto disse que, ao ouvi-lo, percebeu que "ele tinha um argumento definitivo". Diante do prefeito de Jequié, que acabou sendo o vice escolhido, confessou o desejou "mais uma vez tê-lo (Ronaldo) ao meu lado", mas os conselhos dele "foram fundamentais para amadurecer o caminho correto, a melhor direção" e que,  "com sua inspiração, fomos buscar o querido amigo Zé Cocá".

"Me perguntam se tive influência. Sou muito pequeno para fazer influência num processo como este", desconversou Ronaldo, sobre as especulações de bastidores segundo as quais ele teria sido decisivo na escolha de Cocá. Admitiu, porém, que conversou com o colega prefeito. "Nos encontramos e lhe disse que (a vontade) teria que vir de dentro do coração dele". Sem disfarçar a satisfação com o desfecho, o gestor feirense, defensor intransigente da municipalização do Governo, observou que "trazer o interior" para a chapa não é decisão política, mas "reconhecimento de que o interior decide, é a força de quem constrói a Bahia todos os dias". Para completar o clima de "lua de mel", também se mostrou feliz por sua cidade ter sido local do lançamento da chapa completa: "me agrada e muito". 




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