Na arquitetura da civilização, as
instituições — Estado, família, escola e igreja — operam como vigas invisíveis
que sustentam o edifício social. Mais do que meras estruturas burocráticas,
elas são mediadoras essenciais que moldam a identidade individual e estabelecem
as regras do pacto social. Como diriam os teóricos sociais, são elas que
transformam o caos das vontades particulares em fatos políticos ordenados,
garantindo o modus vivendi necessário ao progresso universal.
Desde as teses de Thomas Hobbes
sobre a necessidade de um poder soberano para conter a natureza humana,
entende-se que a força de uma instituição reside em sua credibilidade. Para que
uma norma seja respeitada, a fonte que a emana deve ser vista como isenta.
Quando uma instituição é "sequestrada" por interesses corporativos
ou, pior, quando seus próprios membros utilizam o poder investido para fins
estritamente pessoais, o contrato social é violado.
O desvirtuamento que nasce de
dentro para fora é o mais corrosivo. Ele desestrutura a sociedade e rompe o
limite moral que justifica a existência da autoridade. Uma instituição que
falha em sua sustentação ética torna-se uma força subversiva, fragilizando o
comportamento cívico que levou séculos para ser construído. Quando a confiança
da população se esvai, o que resta é um vácuo perigoso, um "petardo"
que ameaça a edificação da estabilidade democrática.
Atualmente, o cenário observado
no Supremo Tribunal Federal (STF), que já perdeu a confiança de 60% da
sociedade- personificado em figuras como os ministros Gilmar Mendes, Alexandre
de Moraes e Dias Toffoli - projeta uma ameaça sobre a democracia brasileira. A
percepção do comportamento acintoso, somada à omissão do Congresso Nacional —
simbolizado em Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Motta, presidente
da Câmara — em exercer seu papel de freio e contrapeso, sinaliza uma erosão
sistêmica.
Processo Metastático
Essa conduta não se isola na
cúpula do Judiciário; ela se espraia, em um processo quase metastático, para
tribunais de contas, tribunais superiores, estatais, agências reguladoras e
outras instâncias do Estado. O que vemos é a substituição do interesse público
por uma "elite corporativa" que se apossou do poder institucional
para atender a benefícios próprios, exercidos em contratos milionários de
bancas privadas de advocacia, parcerias comerciais em resorts, venda de
sentenças ou uso de bancos públicos para saquear o Estado.
Se a sociedade brasileira
pretende evitar a falência completa e a anarquia, a reação é necessidade de
sobrevivência. Ela não pode acontecer apenas como silêncio — pois o silêncio
transforma todos em cúmplices —, mas sob pressão efetiva nas ruas, nas urnas,
nas redes sociais e sobre os políticos que ajudamos a eleger. Este é o único
caminho para impedir que a metástase institucional aniquile o futuro do país.