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César Oliveira

A falência das instituições é uma ameaça a ordem social

30 de Março de 2026 | 12h 48
A falência das instituições é uma ameaça a ordem social

Na arquitetura da civilização, as instituições — Estado, família, escola e igreja — operam como vigas invisíveis que sustentam o edifício social. Mais do que meras estruturas burocráticas, elas são mediadoras essenciais que moldam a identidade individual e estabelecem as regras do pacto social. Como diriam os teóricos sociais, são elas que transformam o caos das vontades particulares em fatos políticos ordenados, garantindo o modus vivendi necessário ao progresso universal.

Desde as teses de Thomas Hobbes sobre a necessidade de um poder soberano para conter a natureza humana, entende-se que a força de uma instituição reside em sua credibilidade. Para que uma norma seja respeitada, a fonte que a emana deve ser vista como isenta. Quando uma instituição é "sequestrada" por interesses corporativos ou, pior, quando seus próprios membros utilizam o poder investido para fins estritamente pessoais, o contrato social é violado.

O desvirtuamento que nasce de dentro para fora é o mais corrosivo. Ele desestrutura a sociedade e rompe o limite moral que justifica a existência da autoridade. Uma instituição que falha em sua sustentação ética torna-se uma força subversiva, fragilizando o comportamento cívico que levou séculos para ser construído. Quando a confiança da população se esvai, o que resta é um vácuo perigoso, um "petardo" que ameaça a edificação da estabilidade democrática.

Atualmente, o cenário observado no Supremo Tribunal Federal (STF), que já perdeu a confiança de 60% da sociedade- personificado em figuras como os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli - projeta uma ameaça sobre a democracia brasileira. A percepção do comportamento acintoso, somada à omissão do Congresso Nacional — simbolizado em Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Motta, presidente da Câmara — em exercer seu papel de freio e contrapeso, sinaliza uma erosão sistêmica.

 

Processo Metastático

Essa conduta não se isola na cúpula do Judiciário; ela se espraia, em um processo quase metastático, para tribunais de contas, tribunais superiores, estatais, agências reguladoras e outras instâncias do Estado. O que vemos é a substituição do interesse público por uma "elite corporativa" que se apossou do poder institucional para atender a benefícios próprios, exercidos em contratos milionários de bancas privadas de advocacia, parcerias comerciais em resorts, venda de sentenças ou uso de bancos públicos para saquear o Estado.

Se a sociedade brasileira pretende evitar a falência completa e a anarquia, a reação é necessidade de sobrevivência. Ela não pode acontecer apenas como silêncio — pois o silêncio transforma todos em cúmplices —, mas sob pressão efetiva nas ruas, nas urnas, nas redes sociais e sobre os políticos que ajudamos a eleger. Este é o único caminho para impedir que a metástase institucional aniquile o futuro do país.



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