Desde o cancelamento de Karol Koncá, no BBB, um assunto não atingia de forma tão passional os brasileiros quanto o lockdown. Há os que dizem que ele não salva ninguém e mata a economia. Outros o apontam como uma das ferramentas essenciais para salvar vidas, porque economia volta, vidas perdidas não. Evidente, também, que fazer lockdown em país desenvolvido, com população de maior poder aquisitivo e suporte social, é muito diferente de fazer no Brasil, um país esfacelado pela corrupção, pobreza e inépcia jurídica. É provável, no entanto, que todos tenham lá suas razões, mas acho que o debate acontece sobre desígnios que não são objeto do lockdwn.
O lockdwon não é para salvar vidas – ao menos, não diretamente –, até porque não é uma terapêutica. O que ele produz é uma redução da taxa de contágio – e isso está provado, exaustivamente, em todos os países que o fizeram e em trabalhos científicos brasileiros –, permitindo que a relação usuário/vaga do sistema de saúde se torne equivalente ou próximo disso, o que levaria a salvar vidas que se perderiam por falta de leitos.
Na primeira onda da pandemia, o objetivo do distanciamento era alongar a curva, ganhando tempo para que fossem comprados os insumos hospitalares que estavam em falta – máscaras, luvas, aventais, respiradores – e para que os leitos hospitalares fossem ampliados. E funcionou. Em vários Estados que agiram corretamente – a Bahia, por exemplo –, não houve colapso da saúde, nem falta de vagas.
Já em Manaus, a combinação de fracassadas administrações municipais e um governador acusado de corrupção criaram o ambiente para o surgimento de uma nova cepa – com maior carga viral e maior poder de contágio –, levando ao colapso do sistema de saúde.
A combinação de maior número de casos, maior taxa de contágio, maior tempo de ocupação de leitos – por ser uma forma mais grave da doença –, menor número de leitos – já que hospitais foram fechados ou sequer abertos, com o desvio de recursos – está levando ao caos, agora, nacional.
Aprendemos, com os resultados de Israel – que já vacinou 57% da população e viu a taxa de casos cair de forma abrupta –, que só a vacina será capaz de controlar a perpetuação da pandemia por novas cepas do vírus. Infelizmente, o governo brasileiro, defensor da eugênica imunidade de rebanho, foi absolutamente desastroso na compra de imunizantes – e fomos salvos, ao menos minimamente, graças ao Butantan – e, só agora, corre atrás do prejuízo.
Enquanto aguardamos a chegada da vacina, dependemos de conter a pandemia no limite que podemos lidar com ela. Novamente, o objetivo do lockdown não é impedir o total contágio – como se prega, equivocadamente – mas achatar a curva e permitir que a relação vaga/paciente seja mantida em um padrão satisfatório. Para isso, devemos cobrar mais leitos, mais transparência, mais fiscalização das verbas (algo do qual sempre nos omitimos), mas também participação da sociedade.
A situação é dramática, mas poderá ser ainda pior o que vamos ver. Por isso o lockdown pode ser necessário, ainda que não tenhamos fôlego para longa intervenção. É preciso compreender o sufoco econômico das pessoas e seus legítimos argumentos. E tentar flexibilizar ao máximo o que for possível, mas reconhecer o papel do distanciamento, parar de distorcer objetivos da medida, cobrar ação do Estado, exigir compra das vacinas, porque, senão, os que ficarão sem fôlego serão aqueles que não voltarão à vida.
Nas grandes ameaças, isolados, somos todos vítimas indefesas, por isso, nesse momento precisamos de sensatez, ciência, exemplo, união, e liderança. A tragédia imposta ao mundo pelo vírus chinês revelou o pior e o melhor do humano em doses exacerbadas. Fomos capazes de desviar recursos que mataram pessoas asfixidas por falta de oxigênio; sem internamento por falta de leito; sem ventilação por falta de respirador, mas, também, fomos capazes da maior colaboração científica de todos os tempos, das maiories campanhas de solidariedade, e do heroísmo impagável das equipes de saúde. Vivemos a dor insuportavel da morte sem luto- que tanta importância para nós- e a horrorosa disseminação de fake-news, ou mentiras, por oportunistas, ou por pessoas desprovidas de empatia. Assim, um ano após o primeiro caso, vimos o ciclo do contágio e das mortes se repetir, como em outros países, embora muitas vezes parecessemos cegos à tragédia anunciada. E, assim, chegamos a mais de 250.000 mortes- e essa perda incalculável.
Nesse tempo, vimos cair ideias estúpidas que alegavam sermos um país extenso, quente, com um povo que tomava banho no esgoto e não sentia nada, e que estaria pronto para enfrentar a gripezinha e não agir como os maricas do resto do mundo. Outros, destemperados, apelavam para a imunidade de rebanho, essa escolha genocida, eugênica, e que contraria nosso processo civilizatório, esquecendo de combinar com o vírus, essa estratégia. Em nenhum lugar, nem mesmo Manaus, o contágio disseminado impediu uma nova onda- nem na Suécia que foi por muito tempo o bibelô dessa sandice, e que agora obrigou o Rei a pedir desculpas. Ao contrário, isso foi o ambiente que deu ao vírus a oportunidade de usar o corpo humano como oficina para criar cepas mais contagiosas e mais resistentes, tornando inútil essa obscura negação da ciência.
Nesse ambiente tivemos de conviver com líderes aloprados e gente que nega importância das máscaras, do distanciamento, e das vacinas, defendendo o morra quem tiver de morrer. É a besta humana gritando por mais vítimas. Ao lado disso, o discurso oficial negacionista, o planejamento caótico do Ministério da Saúde, e de muitos governadores, a precária aquisição de imunizantes, e de testes, contribuiu para as limitações de nossa resposta à pandemia.
Agora, exaustos mentalmente, economicamente, emocionalmente, com o isolamento e as perdas; com o prejuízo a educação e socialização das crianças; a solidão dos idosos; o peso sobre os chefes de famílias; o cansaço das equipes de saúde; redução dos recursos do estado; estamos diante de uma nova onda da epidemia, mais contagiosa, mais letal, que ameaça colapsar o país de forma inevitável. Colhemos o que semeamos.
Esse texto, no entanto, não faria sentido se fosse dedicado apenas a compartilhar ressentimentos ou apontar culpados. Cada um já sabe a dor e a delícia de ser o que é, ou o que faz. Não é possível esquecer o passado, mas é preciso mirar adiante. E ter a clara certeza que o pior não passou, por mais assustador que isso seja. Precisamos de lucidez, inteligência, e esperança. É hora de superar essa nódoa que nos marcou, fazer as melhores escolhas científicas, universalizar as melhores respostas técnicas que já obtivemos, agir de forma colaborativa, ser implacável com os desvios de verbas, e creditar a lideranças verdadeiras a missão de enfrentar o que está vindo e guiar a população pelo melhor caminho possível da sobrevivência, sem estar preso a ambições pessoais, mesquinhas disputas políticas, ou tóxicas divergências de redes sociais.
Precisamos de uma força-tarefa para enfrentar a devastação anunciada e de consenso que nos una- ainda que não nos aglomere-para podermos nos segurar, pois, sabemos que agindo na mesma direção podemos vencer, antes que as variantes do vírus se tornem uma opção mais mortal e interminavel.
Com a agilidade que só culpados costumam ter, os deputados atuam para votar, a toque de caixa e sem sequer passar pelas Comissões, uma PEC que garante e blinda ainda mais os parlamentares de prisões e punições.
Enquanto a PEC da Impunidade caminha de forma veloz, a PEC do fim do Foro Privilegiado e da Prisão em Segunda Instância mofam, nas gavetas, há quase 800 dias. Ou seja: para proteger culpados não falta correria; para porteger o cidadão, não falta lerdeza.
"Hoje aquele espaço faz parte da área urbana dentro da principal avenida de Feira de Santana e a universidade tem uma área ampla. O estado tem outras áreas em posição menos privilegiada do ponto de vista urbano onde a universidade pode colocar o horto”.
O governador Rui Costa cedeu 8000 metros do horto florestal da UEFS ao Tribunal de Justiça, e disse que uma área em espaço nobre como essa não era a adequada ao horto, e que ele deveria ocupar “áreas menos privilegiadas”. O governador revela uma visão preocupante de urbanismo. A verdade é que justamente nos espaços centrais, com alta densidade populacional , é que a preservação de espaços verdes é mais fundamental, portanto, retirar área verde do centro é um imenso equívoco.
Retirar uma área de pesquisa, de uma Universidade, sem sequer preparar sua substituição é um segundo equívoco importante e péssima sinalização, até porque a recuperação do horto é um processo longo e há espécies que se perderão. Aliás, é possível imaginar que o governador não esteja muito atento a missão daquele espaço porque confundiu horto com horta.
O terceiro equivoco é que isso foi feito mesmo o estado tendo uma imensa área ao lado do Hospital Colônia, ou seja, do outro lado da rua. A necessidade do Fórum não é superior a preservação de áreas verdes “privilegiadas do ponto de vista urbano”.
Bolsonaro, na sua missão de engolir o Centrão, barrar o impeachment, salvar a família da rachadinha, e ganhar apoio do Congresso, cedeu o Ministério da Cidadania a João Roma, um notório aliado de ACM Neto, o que disparou os boatos da aderência do líder baiano a Bolsonaro, especialmente depois da rasteira que deu em Maia, na eleição para presidente da Câmara. Foi o bastante para o presidente do DEM reagir: considero lamentável a aceitação, pelo deputado João Roma, do convite do Palácio do Planalto para assumir o Ministério da Cidadania".
Até aí, tudo bem, ele tem o direito de tentar estabelecer uma posição, embora já tenha dito em outro declaração, que nada podia ser descartado em 2022.
O que soou exagerado -afinal dois membros do DEM são ministros de governo- foi a declaração a seguir:
"Se a intenção do Palácio do Planalto é me intimidar, limitar a expressão das minhas opiniões ou reduzir as minhas críticas, serviu antes para reforçar a minha certeza de que me manter distante do governo federal é o caminho certo a ser trilhado, pelo bem do Brasil”
Não se conhece impactos de criticas de ACM Neto a Bolsonaro, nem liderança nacional que exerça como opositor ao governo, que merecesse perseguição do presidente da República.
Vamos ver a oposição que vai fazer para termos a certeza que não foi só jogo de cena.