Não se pode ser médico tendo apenas as mãos habilitadas, mas mantendo a alma sem compaixão. Claro que ser médico é ter o dever de exercer a técnica com maestria, e para isso há cursos, reciclagens, treinamentos, artigos, e muitas opções de atualização. Verdade que, com o ritmo que as pesquisas estão ganhando, estamos sempre aquém da informação mais atual, mas podemos combater diariamente o fato que 50% do conhecimento médico é ultrapassado a cada 10-20 anos.
Essa prática está mudando de forma radical com a tecnologia, os algoritmos, a Inteligência Artificial, que tenderão a fazer de forma mais precisa- sem cansaço, sem vieses, e mais barato-, o que fazemos. Há, no entanto, algo mais vasto e poderoso que a técnica, e pelos quais os pacientes se guiam: a confiança, a segurança, que só o médico é capaz de oferecer, pois, o doente é sempre alguém frágil, despido de suas certezas e discursos, de sua infalibilidade.
O doente é, essencialmente, uma lágrima, e tanto maior ela será quanto mais grave for sua doença. É dessa habilidade em lidar com a lágrima do outro que fazemos a separação entre os normais- importantes-, e os gigantes - essenciais. Certo que podemos fazer cursos de psicologia, de relação interpessoal, mas diria que há algo inato, algo de pequeno milagre, na capacidade que cada um tem de acolher um doente em seus medos, seus segredos, e lhe oferecer uma saída, seja a cura, o alívio, ou a mais confortável convivência com o tempo que resta. Na Medicina, não há cais em remansos, e sim, em tempestades.
Quando somos ensinados, ou ensinamos, temos por foco tornar o médico “maximamente eficiente e minimamente invasivo à integridade física, econômica e afetiva do paciente”como digo aos alunos. Cumpro o ofício que me é dado como professor, mas confesso que gostaria muito mais de saber habilitar almas que cérebros, porque domar a técnica, é um dever, uma obrigação, com tempo finito; ensinar uma alma a lidar com o limite, ou escolhas, da vida, é imenso, e, por vezes, tarefa de uma existência inteira.
Exige ler muito para desvendar o humano, ter domínio absoluto das palavras, do tom, da mensagem a ser entregue, pois, ela precisa ser otimista, sem ser falsa; realista, sem ser desesperançosa, esse, talvez, o mais importante item terapêutico. Nós médicos, precisamos ser vendedores de esperança. Em medidas precisas, adequadas a cada momento, pois, sabemos que o que separa o remédio do veneno é mesmo, a dose.
O humano é uma vastidão, e, por vezes, para encontrar sua sensação real diante da doença, da culpa, da aceitação, ou do arrependimento, é preciso debulhar a casca de suas falas- por vezes agressiva,por vezes medrosa, indiferente, arrogante -, limpar esses grãos, e encontrar lá no centro um lugar digno, acolhedor, para esse enfrentamento.
Às vezes, um médico só está completo quando vivenciou suas próprias perdas e aprende a contar de saudade e falta; às vezes, nunca, ficará.
Precisamos falar muito mais sobre isso com nossos alunos. É o que forma gigantes.
Caso acreditassemos nos profetas do apocalipse da oposição não teriamos o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal, ou a Constituição de 88, afinal, foram contra. Bom lembrar disso quando surgirem os vendedores de indulgências.
A Reforma foi tentada por FHC, Lula, Dilma, Temer,( ah, como é bom o You Tube) mas só Bolsonaro a está concluindo o que gera um natural ressentimento, até porque as coisas são analisadas mais com a bile do que com a consciência
A Reforma cortou privilégios de políticos e da elite do funcionalismo público, igualando os tetos máximos, recolocou o Brasil no mercado e garantiu a sobrevivência dos futuros aposentados. Já não é possível manter sem limite mínimo de idade- como no resto do mundo-, quanto temos uma sobrevida muito maior no mundo atual. Assim como a redução da diferença entre homens e mulheres é compatível com os dias de hoje.
A restrição da Reforma é que algumas classes de Policiais conseguiram manter privilégios, o que enfraquece a ideia de uma Reforma mais humanitária e com contribuições feita por todos.
A grande tragédia brasileira é educacional. Os resultado no PISA mostram isso e não temos tido nenhum avanço nas últimas décadas. Não é culpa do investimento, pois, o que aplicamos do PIB não está muito fora da média mundial, embora mais recursos seja sempre melhor; nem tampouco a culpa é da ideologia, embora haja em vários espaços e momentos a instrumentalização política por parcela dos professores - os vídeos e denúncias estão aí aos montes para provar-, o que fere a ética da responsabilidade, de Weber.
É um conjunto da obra em que recursos são sistematicamente desviados ( é só ver o que prefeitos fizeram do FUNDEF, com a complacência da Justiça), ausência de metas, base curricular, infra-estrutura limitada, ideologia, ausência de avaliações de professores, modelo gerencial comprometido politicamente, profissionalismo deficiente.
Outro aspecto crucial é a falta de investimento na qualificação de professores( 37,8% dos docentes no Fundamental e 29,2% dos docentes no Ensino Médio NÃO fizeram licenciatura ou complementação pedagógica para a disciplina especifica)
Precisamos de uma prioridade na Educação que até hoje nenhum Presidente ofereceu aos brasileiros o que só perpetua nossa tragédia social.
Calejado no embate no Senado o Ministro Sérgio Moro saiu-se bem no debate na Câmara, ontem, enquanto alguns deputados da esquerda se esforçavam para distribuir agressões e baixar o nível da discussão.
A sessão foi encerrada quando um deputado Glauber Braga(PSOL) chamou Moro de ladrão, gerando confusão. O deputado é filho da ex-prefeita Saudade, de Nova Friburgo, que foi acusada de fraude e teve o mandato cassado.
A verdade é que até aqui Moro vai engolindo os opositores, desidratando o vazamento das mensagens, e ampliado seu cacife político.
Agora, é aguardar o resultado das investigações, afinal, o governo foi criminosamente atacado e os responsaveis devem ser identificados.
A Lei da Liberdade Econômica, a reforma da Previdência, aparentemente irreversível, e a assinatura do acordo do Mercosul com a União Európeia que capengava há 20 anos, são ótimas notícias para um país empacado na crise.
Não se pode deixar de reconhecer que a equipe econômica do governo está produzindo avanços.