Em meio a tantos desencontros, guerras virtuais, e baboseiras similares, eis que as manifestações geraram um café da manhã com o Presidente Bolsonaro, Rodrigo Maia ( Câmara), David Alcolumbre ( Senado), e Dias Toffoli ( STF), gerando um pacto pelas reformas.
Foi a melhor nóticia produzida nesses últimos tempos. Se nenhum filho tuitar um grito de guerra, se nenhum dos participantes queimar pontes, sem necessidade, as reformas passarão a ter uma chance de serem aprovadas e poderemos nos deviar do atoleiro em que começamos a mergulhar.
É cruzar os dedos e vigiar.
É preciso analisar as manifestações sem as vestes do torcedor. Achar que as manifestações foram pífias – estão longe disso! – é tentar adequar a realidade às próprias vontades. Elas foram significativas, democráticas, ordeiras e sem bandeiras partidárias. Também tiveram como pauta medidas de difícil assimilação, como a Reforma da Previdência e o pacote Anticrime, de Moro, o que torna ainda mais importante o fato de terem acontecido, algo inédito. Não houve manifestações mais radicais, como pedido para fechamento do STF e do Congresso. Ocorreram na medida certa e foram úteis a Bolsonaro, para enterrar a ideia do parlamentarismo branco, que já se falava por lá.
Por outro lado, as manifestações estão longe de se constituírem um aval para Bolsonaro achar que pode prescindir do Congresso ou que não tem desgaste no exercício de poder, por suas escolhas. Ao contrário, as manifestações mostraram que a população espera que uma certa pauta seja cumprida. E elas dependem, fortemente, do presidente.
As manifestações, portanto, não foram pífias, nem gloriosas, como querem os torcedores, mas uma expressão legítima da sociedade que enxerga o futuro e exige resultados.
Depois de Mariana e Brumadinho, mais de 300 mortos, meio ambiente destruído, a Vale ameaça mais uma cidade com o rompimento que está para acontecer na barragem de Barão de Cocais. A Vale nem sequer pagou as multas de Mariana, não teve nenhum dirigente preso ou responsabilizado, assim como o Secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais continuou no cargo, como herança do PT do ex-governador Pimentel.
É estarrecedor, escandaloso, ofensivo, a cumplicidade da Vale com as formas políticas para que mate e destrua impunemente. Uma lição asquerosa do que é o capitalismo sem controle.
Não queremos que a Vale morra, mas queremos que a Vale pare de matar.
Achar que as manifestações não fortaleceram Bolsonaro, que teve sua agenda defendida nas ruas, é esquizofrenia; achar que Bolsonaro está blindado permanentemente e não terá que fazer nenhum esforço para viabilizar as reformas é autorizar que ele abdique do papel de presidente.
No calor da greve de professores que atinge as universidades estaduais há um mês, o governador Rui Costa deu uma declaração grave, nessa segunda feira. Ele falou sobre a gestão do contrato de vigilância da Universidade Estadual de Feira de Santana. Algo que requer um esclarecimento imediato do reitor reeleito- e, enfim, nomeado-, Evandro do Nascimento.
Na verdade, pode até ser visto como uma denúncia, a informação dada pelo governador à Rádio Metrópole e reproduzida no site Política Livre. Ele afirmou que a UEFS gasta o dobro, na contratação do serviço de vigilância da instituição, em comparação com as outras universidades estaduais, embora com demanda menor. A declaração do governador:
"... Vejo que na UEFS se gasta o dobro com vigilância do que nas outras universidades. Só tem um campi. Gasta mais que Conquista, que tem três. Gastar o dobro com empresa de vigilâncias melhora educação? Isso pra mim é desperdício de dinheiro público”.
Não deixa de impactar, uma informação dessa natureza. Qual seria a justificativa da reitoria da UEFS, com um campi, para pagar o dobro que o valor da Universidade Estadual do Sudoeste, em Vitória da Conquista, que tem mais de um campi? É preciso, de fato, um esclarecimento, que os dados dos valores sejam publicados, em ambas Universidades, para que vejamos se o governador tem razão ou se a UEFS tem seu gasto justificado. O governador afirmou que considera desperdício público a escolha do investimento o que torna a recondução do Reitor, autor do contrato, uma contradição e sinaliza um relacionamento complicado. Anteriormente, o Reitor, havia sinalizado que o contingenciamento de verbas nas universidades da Bahia, era igual ao que o governo federal estava fazendo.
O governador também disse que a greve dos professores das universidades seria "partidarizada", o que na verdade, não é, até porque estamos distante de período eleitoral. Ao afirmar isto, ele compra o tipo de discurso equivocado empregado por governadores anteriores, seus adversários, e que a esquerda tanto combatia.
A greve, já longeva, vai se convertendo no mais desafiador enfrentamento do governo, e precisa ter canais de mediação realmente efetivos.