O Superior Tribunal de Justiça confirmou a sentença de Lula por corrupção no caso triplex, mas reduziu a pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias. Com essa redução - se não houver nova sentença pelo caso do sítio-, Lula poderá mudar para o regime semiaberto, em que trabalha durante o dia e dorme na prisão, a partir de setembro.
Com a redução a pena voltou à mesma dosimetria que foi aplicada por Sergio Moro quando o condenou.
A nova confirmação vai reafirmando cada vez a mais a falência da narrativa que Lula é vítima de perseguição política. No julgamento de hoje havia um Ministro indicado por FHC, dois por Lula, e um por Dilma.
O maior projeto de poder sustentado pela corrupção que já tivemos, tem custado duras condenações ao seu líder. O STJ reafirmou a justiça da condenação.
Depois de 4 longos meses no poder a guerra entre o astrológo-filosofo Olavo de Carvalho e militares atingiu um grau a mais de temperatura. Em vídeo, o escritor atacou ferozmente os militares, lá de sua moradia nos EUA, em vídeo que foi repercutido pelo Presidente da República, o que faz supor que ele dá aval ao ataque. O que não se sabe é com que intenção esse jogo está sendo feito, ou qual a intenção de Bolsonaro. Empurrar o país para uma condição de inevitabilidade de um governo militar, ou reduzir o poder dos militares, garantindo para seu grupo, o domínio da administração, atualmente sob controle e moderação dos militares em diversos setores?
O que estará sendo jogado, nos bastidores de Brasília? Com certeza o que se joga tem como meta a eleição de 2022, mas os riscos são muito grandes por conta da instabilidade jurídica e ameaça ao crescimento econômico que isso já está trazendo.Em outros setores, como educação a brutal guerra tem feito vítimas seguidas, enquanto nenhuma decisão que melhore a educação do país, é tomada.
É um jogo de mestre, mas faltam craques em campo.
Guardadas as devidas proporções e significados, ontem, ruíram dois monumentos. Em Paris, a Notre Dame, a icônica igreja de estilo gótico que é um retrato da civilização humana e Patrimônio Histórico da Humanidade, devorada pelo fogo e um certo descaso. Aqui, no Brasil, ruiu mais um pouco a legitimidade da Suprema Corte que reimplantou a censura a imprensa a pedido do seu Presidente, o Ministro Dias Toffoli, ex-advogado do PT. O ato, autorizado pelo Ministro Alexandre de Moraes- que vai revelando cada vez mais o pior de si mesmo-, resultou na censura à Revista Crusoé e ao site O Antagonista, e na ordem a Polícia Federal para interrogar os responsáveis pela editoria e outros já detidos em uma Operação da PF ,essa manhã
A ofensiva já havia começado antes, com inquérito sigiloso aberto para investigar "fake-news" contra Ministros, mas que tinha por objetivo, especialmente, proteger o Ministro Gilmar Mendes- mais desqualificado aos olhos da nação que banana de xepa-, e que tinha seus rendimentos investigados pela Receita Federal. Agora, a revista publicou que Marcelo Odebrecht tinha afirmado em sua deleção que o "amigo do amigo de meu pai" era o Ministro Toffoli, motivo pelo qual o presidente da Suprema Corte mandou censurar. O documento é verídico, portanto, a revista não mentiu.
A situação torna-se ainda mais escandalosa quando já se noticia que o documento que estava nos autos foi estranhamente retirado do processo. Chega a ser inacreditável.
Toffoli chegou ao STF conduzido pelo PT, mas sem o notório saber jurídico que se exige de alguém que ocupa um lugar na Suprema Corte. Aliás, sequer foi aprovado nos concursos em que participou. Ao assumir a Presidência iniciou o inquérito sem objeto definido, contestado pela grande maioria dos juristas e, agora, não satisfeito, passou o STF da condição de guardião para violador da Constituição, lembrando os tempos obscurantistas que já vivemos. O Judiciário jamais deveria cruzar a fronteira que separa o interesse privado de seus ocupantes do interesse público.
A soberba - e perigosa- decisão mereceu o seguinte comentário do Procurador Vladimir Aras em seu Twitter: “A decisão de hoje contra O Antagonista e a revista Crusoé ofende a Constituição e a Convenção Americana de Direitos Humanos. A censura é reprovada pela Corte Interamericana de Direitos do Homem e pelo próprio STF.”
Pior que o descaso que destrói Igrejas históricas, são os pecados pessoais e o corporativismo que transformam em ruínas e cinzas a liberdade de imprensa e o s monumentos que devem ser a Constituição e o Supremo Tribunal Federal, do Brasil.
A liberdade não tem Senhor. Censura nunca mais.
No desabamento do viaduto Gaurarapes, em BH, duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas; no rompimento da barragem de Mariana, 19 pessoas morreram; em Brumadinho já são 224 mortos engolindo lama e ainda tem 64 desaparecidos; na boate Kiss, foram 242 jovens; na ciclovia Tim Maia, que já caiu 4 vezes, morreram 3 pessoas.
Em nenhuma dessas tragédias, nenhuma delas, há alguém preso ou responsabilizado. Dentre os países civilizados o Brasil é o único que tem licença para matar coletivamente.
O governo Bolsonaro completou 100 dias entre tapas e beijos protagonizados pelos os bolsonaristas radicais, mídia e o entourage presidencial.Evidente que o governo não utilizou da melhor forma política o imenso capital que tinha. Perdeu prestígio em polêmicas inúteis que acabaram levando de roldão o que o governo fez de positivo. Bolsonaro segue a técnica de comunicação de emular suas tribos virtuais, esquecendo que não se pode governar o país pelo twitter, ainda que possa comunicar-se por ele.
O projeto anticrime, de Mouro, a reforma da Previdência, de Guedes, os leilões realizados pela Infraestrutura, o decreto ficha limpa para cargos de confiança, o recorde da bolsa, a mudança de postura com a ditadura Venezuelana, a redução de despesas, foram alguns dos aspectos positivos que não tiveram sua dimensão bem analisada. Em compensação, debate sobre a golden shower, cor da roupa de menino e menina, comemoração da ditadura, ocuparam o centro do palco nacional alimentados pelo presidente, ministros sem preparo adequado para o cargos, os beligerantes- e desastrados- filhos do presidente e parte da mídia que sofre com a falta de verbas.
Bolsonaro tambem não gosta de resolver problemas, preferindo retardar a intervenção como no caso do desastre que é o Ministério da Educação onde trava-se uma briga louca pelo poder sem sua arbitragem.
Ciente da realidade- ele disse acreditar em pesquisas- Bolsonaro começou a conversar com líderes dos partidos, o que é seu dever fazer, em busca de aprovação de seus principais projetos e que são sua própria sobrevivência.
Enfim, não foram os melhores 100 dias, mas estivemos longe daqueles 100 dias de corrupção praticada com o nome de governabilidade, da qual já estavamos cansados.
E isso, já faz diferença.