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César Oliveira - 29 de Agosto de 2017 | 19h 41
Cada vez mais os fatos vão mostrando que houve fiscalização ineficiente da Agerba e Capitania dos Portos, no triste naufrágio da lancha Cavalo Marinho I, na travessia de Mar Grande, com 19 mortos. Qualquer um que já pegou uma lancha no Estado- Mar Grande, Morro de São Paulo, Barra Grande- sabe que os coletes ficam presos, ou trancados, que nenhuma orientação é dada aos passageiros, que por vezes é possível notar que o número de coletes não é o bastante, que ficam todos em um lugar só. A situação é vísivel, sem esforço.
Como o número de acidentes é baixo, ou nem sempre divulgado, vive-se no faz de conta entre as Entidades responsáveis e os donos de embarcações. A revelação que havia notificações do MP sobre a condição da travessia, transforma o acaso, em escândalo.
Não, ao contrário da canção de Caymi, não é doce morrer no mar. E de negligência e cargos com indicação política, é ainda pior.
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César Oliveira - 21 de Agosto de 2017 | 10h 13
Nas eleições da Câmara, deu o que tinha de dar e até as infindáveis barracas de camelô sabiam: José Carneiro venceu por 17x3. Foi uma vitória atropeladora sobre a oposição e que mostrou Ronaldo com mais musculatura do que nunca. A derrota acachapante deixou Tom, Tourinho, Eremita, e Cíntia- que nem apareceu para votar-, isolados. Quando o vento começou a soprar do Paço Municipal a favor de Carneiro, aconteceu o efeito manada que impôs o diferenciado placar.
Justiniano, que até pedido de mandado de segurança fez para ser exonerado de Secretário de tão desejoso que estava para participar da eleição não apareceu. Não houve comunicado ao Poder Legislativo, da troca. O recado já havia sido dado a Cintia Machado, a maioria construída e nem a posse se tornou mais necessária, mas foi um 18 moral.
O resultado, de quebra, deu um nó em Targino Machado - que se declara independente de Ronaldo-, tio da vereadora, que ia votar em Tourinho e favoreceu Geilson- que não é independente de Ronaldo- , de quem Carneiro é aliado.
Peça importante do jogo para a sucessão estadual, Ronaldo, só vê seu poder crescer e não iria perder uma partida desta no momento em que tenta se classificar no G4 da eleição de 2018, pois, poderia parecer fraqueza e abriria um flanco sem um aliado puro-sangue na chefia da Câmara, embora, claro, seja praxe dizer que jamais interferiu, pois, são todos aliados e o Poder Legislativo é independente.
Enfim, a novela acabou, os derrotados vão pensar na reeleição- sabem que sem mandato, nem o vento bate nas costas, como já disse o vereador Tom- e devem ficar ressentidos, mas não rompidos, afinal, a lição foi dada, mais uma vez, sobre quem comanda a política na cidade, embora Tourinho tenha devolvido os cargos e declarado que: " A quem for dado mais, mais será cobrado. Quem tiver ouvido para ouvir que ouça: não me cobrem nada"
Para bom entendedor 17x 3 basta.
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César Oliveira - 20 de Agosto de 2017 | 20h 45
Esta eleição na Câmara de Vereadores, de Feira, entrará para os anais como a mais esdrúxula de todos os tempos. Nunca antes na história da Casa da Cidadania vimos uma disputa que começou à beira do caixão do presidente falecido– rei morto, rei posto-; teve um vice-presidente, Tom (PEN), que assumiu o cargo com a morte do presidente, mas que recusou-se a declarar a vacância do cargo, abusando do poder, expondo a Câmara e os colegas ao ridículo, enquanto sonhava com uma efetivação que sabe que não viria, pois, nunca foi o sonho do prefeito; e precisou de mandado de segurança obrigando que fosse realizada uma eleição que era obrigatória.
Já não seria pouco, mais eis que a proximidade do equilíbrio de votos entre Tourinho (PV) e Carneiro (PSDB) - descartados os que correram por fora-, determinou que Justiniano França (DEM) lançasse uma bomba: ele pediu exoneração do cargo de Secretário através de um mandado de segurança, porque Ronaldo não teria permitido que ele participasse da eleição na Câmara. Seria preciso que o Sol passasse a girar ao redor da Terra para que algum feirense acreditasse no Secretário enfrentando o Prefeito. Ao contrário do jogo do bicho, não vale o escrito.
O ato, preciso, rebaixou Cíntia Machado (PMB) - suposta eleitora de Tourinho - sem dó, nem consideração, apeando-a do poder na boca do gol e trouxe de volta, Justiniano, declarado eleitor de José Carneiro.
Carneiro, vereador de vários e bons mandatos, puro-sangue absoluto do grupo, é o preferido do Prefeito e já botou a eleição no bolso. Nesta briga do Touro com o Carneiro, o Touro, levou a pior, mas as ameaças de revanche não devem se concretizar, apesar da mágoa que fica na alma. O alcaide está para tentar uma vaga ao Senado, ou outro cargo, na eleição do ano que vem e o tempo e o poder têm a propriedade de produzirem reparações milagrosas.
Enfim, nesta segunda (21), vai ganhar quem estava previsto ganhar: Ronaldo.
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César Oliveira - 18 de Agosto de 2017 | 11h 24
O episódio de eleição da Câmara- iniciada a beira do caixão e impedida de acontecer pela absurda relutância do vereador Tom em declarar vago o cargo- segue mais indefinida que baba de solteiros e casados. Não se pode negar a má vontade do Paço Municipal com o Presidente substituto, que nunca teve a menor chance de se tronar efetivo.
A verdade é que neste curto período o cargo passou por diversos acordos- e há gente que dormiu eleita e acordou dispensada- e afunilou em dois concorrentes: José Carneiro e Tourinho. Apesar de Ronaldo dizer que não interfere- mera lenda urbana- sabemos que o voto de Minerva pertence ao Prefeito que terá de fazer sua escolha de Sofia, como no famoso filme.
A decisão coloca Ronaldo na parede: com a escolha, ele pode premiar um velho e fiel aliado, Carneiro; e, do outro, matar dois coelhos com uma cajadada só: premia outro aliado e evita que este possa se converter em um opositor inteligente, incisivo e que sabe sobreviver na oposição, onde militou por muito tempo. Aliás, suas intervenções no período em que Tarcísio foi Prefeito é uma amostra dos duros discursos que é capaz. Já é voz corrente nos bastidores que Tourinho fará, hoje, a entrega dos cargos que tem no governo.
Ambos são bons concorrentes, embora, seja verdade, que Tourinho apresenta um discurso mais linear, com mais liturgia em relação ao cargo e escolhido reafirmaria o nobre compromisso de Ronaldo em homenagear José Falcão e família, que ele incorporou ao seu grupo.
É, esperar para ver
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César Oliveira - 17 de Agosto de 2017 | 18h 24
Não sei muito como mudar este país, totalmente dominado, legislado, regulado, por criminosos, ou exploradores, das mais diversas estirpes, mas se tem algo que tem de ser abolido de nosso comportamento é o "dar de ombros". Todas as vezes que lemos algo estarrecedor- o perdão a Joesley, da Friboi, os cavaleiros do apocalipse que governam com Temer, a devassidão de Cabral, no Rio, o assassinato de 100 policiais, o apoio a ditadores, o juiz que recebeu meio milhão de salário, diz que ainda faltam R$750 mil e que vai postar no Face, pois, não está nem aí- o que fazemos é... "dar de ombros".
Fazemos algum escárnio sobre o fato, como se fosse castigo bastante, e, automaticamente, ligamos o sistema de anulação da indignação e aceitação dos fatos, como se assim fosse e assim tivesse de ser. Entre amigos, exalamos nossa tristeza, ar cabisbaixo, certa vergonha de não morar no país dos outros, e algum desalento por saber que a vida está passando e não provaremos das delícias de um estado decente e seguro. Não só isso, como continuaremos a repetir nossos erros, a fazer escolhas por um mínimo favor, reverenciar os detentores do poder e perpetuá-los com um dar de ombros, de quem marcha sem um destino para chamar de seu, pois, é mais fácil seguir que lutar, como quem acha que é inevitável o que a história já provou que não é.
Às vezes - não fosse tão breve o meu tempo, tão destrutivo o final- eu desejo uma revolução, ou a degeneração total do poder que nos levasse a uma "Venezuelização" plena, porque implicaria em reação obrigatória e alguma mudança no modus operandi do que nos governam e da compreensão de que somos donos deste latifúndio em que somos permanentemente saqueados.
Sei, no entanto, que o preço seria caro demais, com perdas irreparáveis, dores pessoais injustificáveis, e torço, então, que a solução venha pelo caminho mais longo, ainda que desgastante.
Resistamos e tenhamos consciência que a resistência começa em pequenos gestos, no cotidiano, quando não fazemos relativismos oportunistas, ou adequamos a ética às circunstâncias ou interesses pessoais. Faça este esforço todo dia e teremos uma chance. E, lembre-se, nada que os políticos nos dão é favor.
Não dê de ombros. Não ceda. Como diz o poeta Roberval Pereyr: uma flor não é simples: é uma flor. E não cede.