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César Oliveira - 09 de Setembro de 2017 | 11h 43
Nada tão apropriado sobre a delação do notório bandido, da JBS, como a frase de Cícero: “A verdade se corrompe tanto com a mentira como com o silêncio”.
Evidente que o apocalipse desta delação não teria acontecido sem a participação de Janot- e tudo me parece apenas versões- que aceitou dar imunidade aos criminosos. Acossado por cinco investigações é claro que a JBS adotaria a delação premiada mais cedo ou mais tarde, fustigada que estava pela lei. A lava-Jato de Curitiba já mostrou por outros caminhos, com a Odebrecht, que é possível. Marcelo Odebrecht - lembrem que deu uma entrevista dizendo que quando as filhas brigavam, ele perguntava quem provocou a briga, e arrematou: "eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato" - disse que não deletaria e acabou fazendo-o, junto com o pai.
Enquanto a Lava-Jato de Curitiba tem por regra nunca conceder a imunidade total, como relatou o procurador Claudio Fernandes, em entrevista, Janot, talvez por vaidade- o pecado preferido do diabo-; messianismo; ou sabe-se lá porque razão, em injustificado ataque de inexperiência, incompatível com quem esta há quase quatro anos no cargo, aceitou dar imunidade total, não confiscar bens, garantir o direito do La Fontaine da Friboi permanecer na direção da empresa- armando golpe para lucrar com a venda das ações, com a informação de sua delação-, tolerar a promiscuidade estabelecida com um procurador que saiu do grupo para orientar a delação e gravação de Joesley, vazar seletivamente informações que quase derrubaram o Presidente e sequer recolher o gravador e solicitar uma perícia, antes de fazer uma denúncia contra a maior autoridade da República. Voou para perto do sol esquecendo que as asas eram de barro.
Aí, acossado pela sucessora que lhe é oposição, Janot resolveu disparar um arsenal de flechas contra tudo e contra todos- quadrilha do PT e do PMDB- ao final do mandato, dando impressão de certo açodamento que se destina mais a corrigir a biografia e a fazer política interna, na PGR, do que exercer com o esmero necessário o cargo que ocupa. Não que os denunciados não o mereçam- seriais frequentadores do noticiário da corrupção nacional-, mas porque não se entende a febril atividade em apenas um mês e fica-se com a impressão de ligeireza.
Aí, quando a chanchada já parecia escandalosa demais eis que aparece um áudio de Joesley e seu quebra-faca, Saud, conversando, bêbados, gravados acidentalmente (bem, é o que reza a lenda) e entregue acidentalmente entre papéis (é o que reza outra lenda). No áudio, em dialeto “nósvai” eles relatam ter feito delação seletiva, orientado pelo ex-procurador Marcelo Miller e de quebra fazem insinuações sobre Ministros do STF, relatos de sexo e casos, e prosaicas técnicas de como fazer drama para contar uma verdade a própria mulher.
Agora, Janot, sem saída, resolve corrigir o rumo pedindo a prisão do ex-procurador Miller, Josley e Saud. Credite-se a Janot ter feito um grande trabalho ao apoiar a Lava-Jato, ter realizado denúncias importantes, embora o desastrado final de seu mandato contenha fatos que merecem uma explicação além da que estamos tendo, pois, se não fosse a pressão coletiva o crime teria compensado.
É sempre bom lembrar Churchil, para manter a esperança: “A verdade é inconvertível, a malícia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas no fim; lá está ela”.
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César Oliveira - 08 de Setembro de 2017 | 15h 51
Antônio Palocci, ministro de Lula e Dilma, não é um qualquer. Responsável pela “Carta aos Brasileiros" que garantiu aceitação do PT pelo empresariado é, sem dúvida, o mais inteligente e articulado membro do PT. Calmo, preciso, hábil articulador, com trânsito entre todos os partidos, ele foi o gestor da campanha de Dilma e o Ministro que gerenciou as verbas do partido no governo Lula.
Palocci vinha resistindo a delatar, mas enxergando que o fenômeno Lula já não tem mais o poder que tinha e correndo o risco de sua delação se tornar desnecessária, resolveu dar um passo adiante no jogo. E o que contou ao juiz Moro- e, com certeza está longe do que sabe-, já é suficiente para demolir as lendas de Lula, que continua a alegar inocência em meio às diversas condenações do seu staff político. Até na escolha das palavras, cuidou de criar imagens demolidoras como o “pacto de sangue” entre a Odebrecht e Lula, para uma propina de R$300 milhões de reais. Claro que meticuloso como é deve ter guardado o suficiente para corroborar suas afirmações, pois, sabe que apenas confissões não valem.
O papel central, organização, importância, dele, dentro dos governos petistas tornam sua delação um nocaute fulminante, em Lula. Ainda que os militantes- alguns com uma falta de respeito ao eleitor que chega a ser deprimente- saiam a acusar o ex-ministro é evidente que nada poderá ser feito contra a narrativa terminal de sua confissão.
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César Oliveira - 08 de Setembro de 2017 | 13h 38
Em conversas e nas redes sociais é frequente ouvirmos relatos de gente com vergonha de ser brasileiro, por nossa longevidade na corrupção. Lógico que este permanente desnudar de nossas mazelas e falta de educação que costuma chocar a muitos, causam uma redução da autoestima, mas é bom lembrar que o Brasil não é Geddel, Cabral, Lula, Joesley, Aécio, Temer, Sarney, nem juízes arrogantes com salários milionários, procuradores que aderem a criminosos, usuários de verbas públicas, ou de outras vantagens genéricas e similares, todas indecentes.
O Brasil não são eles, com seu protagonismo imoral. O Brasil, somos nós. Gente que não tem malas cheias, boca livre no BNDES, sítio com pedalinho e verbas da Lava-Jato. A parte da população que tem impostos demais; trabalho, duro, diário; serviços ruins e letais; algum medo no olhar, é verdade, pois, sabem amar, e não querem perder quem ama de perda imprevista.
É gente que tem balacobaco para sobreviver e enfrentar o dia seguinte, sem ceder. Que dá exemplo, e resgata diariamente a esperança massacrada e quase extinta, para seguir adiante, sem perder a fé, sem deixar de ir à busca de um dia melhor, com suor, e não com canalhices e cinismo.
Nós somos a maioria. Nós não somos os que caem em tentação, os que servem a alma ao diabo, em desvios de verbas, e servidão ao poder. O país de verdade é feito de gente integra e que não pode fraquejar, não pode deixar que o discurso deles, de terra arrasada, vença, porque, isso, é tudo que precisam, para terem ainda mais domínio sobre todos.
Por isso, não vamos perder a família, a crença no esforço, nem deixar de agir com honestidade. Não vamos parar de cobrar o pleno estado do direito, ou de apoiar quem está tentando mudar o país com a lei, algo que jamais imaginamos e que é um exemplo para o mundo.
Eu tenho orgulho do Brasil que faço. E sei que há milhões que têm, também. Apesar de nossa tolerância, eles haverão de passar e o Brasil deles nunca será o nosso. Não ceda.
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César Oliveira - 06 de Setembro de 2017 | 17h 26
Não se pode atribuir ao STF brasileiro o rigor exigido e que imaginamos que deve ter uma Suprema Corte. Decisões polêmicas( Lewandowski criando o impeachment sem perda de direitos políticos), nítido partidarismode alguns juízes( Fachin, Toffoli), ativismo judicial ( Barroso) despudor ético que permite a seus membros atuarem em casos em que francamente estariam impedidos por ligações comerciais e pessoais, como fez recentemente o soberbo Gilmar Mendes, foram desgastando nossa Suprema Corte.
Nada, entretanto, parece ser tão grave quanto os sinais que são emitidos da delação do notório bandido, Joesley Batista, onde quatro Ministros teriam sido citados. O clima de suspeita, sem a revelação clara coloca a nação em suspense e enfraquece de forma contundente o Judiciário. Isto não pode perdurar.
A Presidente Carmem Lúcia- ainda que tardiamente- pediu investigação do caso. A nação brasileira espera este esclarecimento de forma rapida transparente e objetiva.
Toda vez que a maior Corte de um país é fragilizada, seja por qual for o mecanismo, a democracia passa a correr um risco supremo.
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César Oliveira - 05 de Setembro de 2017 | 20h 01
A corrupção corre solta e desenfreada no país, como sabem todos, mas quando se encontra uma imagem para dar feição a ela a nação ainda fica chocada. O bunker ecônomico ligado a Geddel, estourado pela Polícia Federal, através de uma denúncia anônima estarreceu a nação. Mais que os R$33 milhões, na contagem atual, é inacreditável imaginar quanto dinheiro mais terá passado pelo cofre-apartamento e sua origem.
Geddel é acusado de receber R$20 milhões na Operação Cui Bono. Provado que é usufrutuário daquele dinheiro o ex-ministro deve voltar a prisão. Como dinheiro ainda não brota de piso de apartamento bastará a Polícia investigar quem frequenta o imóvel e quem carregas as malas e caixas. Não será dificil. Assim como o dono do imóvel terá de explicar a quem emprestou o sumidouro geral de dinheiro da nação. Guardar dinheiro vivo não é crime, se o dinheiro for legal. Vai que o dono da grana ganhou vendendo picolé no Porto da Barra e estmos fazendo estardalhaço a toa.
As redes sociais explodiram de memes e um vídeo em que Geddel discursa, na Barra, durante uma das manifestações contra Dilma acusando os petistas de corrupção, faz sucesso.
As malas e caixas do apartamento ligado a Geddel vão se tornar um símbolo nacional desta era da Lava-Jato