O suplente de deputado fica orando amigavelmente para que aquele que está a sua frente encontre um lugar para ir, para que ele assuma o mandato. A chance chega, ele bota o pé na cena, mas segue sempre ameaçado de dormir deputado e acordar desempregado.
Quando tem uma votação histórica como esta contra Temer, ele se empolga, marca o discurso, prepara o voto para ganhar o destaque merecido, e quando chega na boca do gol, na hora de empurrar a pelota e correr para o abraço, eis que surge o dono do mandato e diz: gol de placa só eu que faço.
É a situação do deputado federal Davidson Magalhães (PCdoB-BA), e Robinson Almeida (PT-BA), que foram exonerados por Rui na hora de votar e valorizar o passe.
É triste o destino do suplente.
Com a exoneração dos secretários de Desenvolvimento Urbano, Fernando Torres (PSD), e de Relações Institucionais, Josias Gomes da Silva (PT), pelo governador Rui Costa, os dois devem votar para salvar Temer contra a denúncia da PGR.
Kassab, dono do PSD, já sinalizou que quem votar contra pode pedir o boné e sair do partido. Para bom entendedor meia ameaça basta.
O PT da Bahia, quem diria, vai ajudar a salvar aquele que considera traidor.
Considerando-se os poréns e os contudos, a verdade é que a eleição para governador baiano, em 2018, não tem favorito e tá mais enrolada que rodilha de cobra. Certo que, se ACM Neto tem a vantagem da novidade e de um bom primeiro mandato de prefeito, em Salvador, ainda não tem a capilaridade estadual e não foi testado em todo estado.
Rui Costa, por sua vez, faz um governo melhor do que se esperava dele - ainda que tenha sérias deficiências-, e percorre todo Estado, levando benefícios aqui e ali. Tem contra si o forte desgaste do PT, a condenação de Lula- que pode deixar o partido sem perspectiva de poder nacional, se confirmada- e, a seu favor, ainda, as intervenções na capital, onde tenta ganhar voto no reduto de Neto, rasgando a cidade com o metrô e intervenções urbanas.
Tem, até agora, ao seu lado, um renascido peso pesado, Otto Alencar, cujo nome é ventilado aqui e ali até para vice de Alckmin e Meirelles, mostrando que realmente fez cacife depois de ser dado como acabado na diáspora de carlistas, após a morte do lider, ACM.
Com Geddel curando a rebordosa que entrou, José Ronaldo, se tornou a noiva cobiçada. Otto lhe cederia partido, Lídice diz que o receberia e Neto diz que não fica sem ele. A mudança causaria um impacto na fronteira de Neto pelo efeito da mudança de umas das mais antigas lideranças do partido embora, é claro, a trans ferência de voto seja limitada, pois, seu eleitor o identifca com o partido. No entanto, não chega a ser uma limitação.
Otto e Ronaldo, podem, no momento, botarem banca de fiéis da eleição.
O futuro, entretanto, a muitas outras coisas, pertence.
Ninguém se mantém no poder nas condições de Temer sem praticar um indecente pacote de compra parlamentar, sem arrebentar os cofres nestes tempos de dinheiro curto. Sem condições morais de cortar o custeio enxugando a máquina pública, retirando isenções para beneficiados e organizando o sistema, só lhe resta ir aos bolsos do brasileiro, de forma esfomeada, para arrecadar mais, onerando a vida cara que já temos.
O aumento da gasolina é um dos piores, pois, tem efeito em cadeia e afeta aos mais pobres de forma acentuada. O Presidente pinguela- o primeiro denunciado na história-, disse que o brasileiro vai entender o aumento, mesmo depois de ter afirmado em outra ocasião que se fosse aprovado o teto de gastos não haveria necessidade de aumentar impostos. O cinismo da frase deixa entrever que Temer nâo tem escrupúlos em jogar sobre nós os custos de sua sobrevivência.