O jornalista e empresário feirense Raimundo Lima foi empossado, recentemente, para seu segundo mandato à frente da Associação dos Empresários e Executivos Brasileiros em Angola (Aebran). Ele encabeçou a chapa "ebran em movimento - inovação e crescimento", leita para comandar a instituição até 2027. A solenidade de posse da direção aconteceu no salão do Instituto Guimarães Rosa, antiga Casa de Cultura Brasil-Angola em Luanda. Mais de duas centenas de pessoas interagiram alegremente no salão e no jardim do IGR, durante mais de duas horas, ao som de belas canções interpretadas pelo coral “Vozes da Aldeia“, pelo pianista Senhor Roland e pelo violinista Mateus Vasconcelos.
Autoridades, empresários e representantes de diversas entidades brasileiras, a exemplo da embaixadora e do cônsul-geral do país, assim como líderes de vários ministérios do governo de Angola, marcaram presença. "Muito obrigado a todos por protagonizarem esse evento memorável, que superou as expectativas mais otimistas", agradeceu o presidente. Ele também prestou "reconhecimento especial aos 20 notáveis colegas dirigentes da Aebran, sobretudo por depositarem confiança na minha reeleição como presidente". A tradicional entidade existe há 23 anos.
Lima disse ser "uma honra muito grande" presidir mais uma vez a instituição que representa o empresariado brasileiro em Angola. Neste novo mandato, ele pretende continuar buscando "o diálogo e as iniciativas que possam significar a expansão das atividades econômicas brasileiras em solo africano, com respeito à cultura e às tradições locais, responsabilidade social e sustentabilidade".
O presidente da Aebran acredita que o governo brasileiro tem "todo o interesse" de estimular parcerias que possam proporcionar aos empresários nacionais oportunidades em Angola. Ele afirma existir uma "imensa expectativa" de desenvolvimento nos mercados comercial, industrial e de serviços, neste "país irmão". A reeleição dele e de sua diretoria, analisa, resulta do bom trabalho executado na primeira gestão, "o que reforça o compromisso de nossas ações voltadas para as classes produtoras do Brasil nesta querida nação africana".
O jornalista-empresário é também professor universitário e exsubsecretário de Comunicação no governo Lídice da Mata, primeira mulher prefeita de Salvador. Foi diretor de redação do jornal Tribuna da Bahia, atuou na sucursal do Jornal do Brasil na capital baiana e presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia. Em Feira de Santana, montou a Assessoria de Comunicação Social da Câmara. O Legislativo lhe c
Nascido e criado na rua Quintino Bocaiúva, conhecida como rua do Fogo, na Kalilândia, Raimundinho, como é mais conhecido nesta cidade, deixou Feira de Santana ainda estudante para cursar Jornalismo na Universidade Federal da Bahia. De família humilde, n capital ele utilizou-se da Residência Universitária de Feira, mantida pela Prefeitura e que acolheu a centenas de feirenses, durante décadas. Ele se encontra atuando em Angola há três décadas, com negócios na esfera governamental e também na iniciativa privada. Já levou vários baianos de diversas áreas profissionais, para trabalhar em suas empresas.
Eu já possuía alguma experiência na vida pública, quando me
tornei secretário de Comunicação Social do Município de Feira de Santana,
em janeiro de 2013. Antes de assumir este cargo a convite do prefeito Zé
Ronaldo, em seu terceiro mandato, já era redator, do quadro efetivo, na
Assessoria de Comunicação da Câmara. Me licenciei do Legislativo algumas vezes,
para chefiar a Divisão de Jornalismo da Secretaria de Comunicação no governo
João Durval, em 1993 e para ser nomeado assessor de imprensa do deputado Sérgio
Carneiro na Assembleia Legislativa.
Ainda na Câmara de Vereadores, convidado pelo saudoso presidente
da Casa da Cidadania, o inesquecível vereador Antônio Francisco Neto (Ribeiro),
comandei a Ascom, em 2012. Mas, inegavelmente, a minha grande universidade na
comunicação pública aconteceu na Prefeitura, durante os sete anos e meio em que
ocupei a cadeira de secretário. É uma honra muito grande ter sido o segundo
jornalista a passar mais tempo no cargo, após Anchieta Nery, com nove anos e
dois meses - seis anos e oito meses sob Zé Ronaldo e mais dois anos e sete
meses com o prefeito José Raimundo de Azevedo.
Zé Ronaldo me chamou para a função pela minha trajetória no
jornalismo desta cidade. Estagiário do Colégio Estadual no Feira
Hoje, tornei-me editor-chefe daquele importante jornal. Estagiei também
na Rádio Sociedade News e alcancei mais tarde o cargo de chefe do departamento
de jornalismo da emissora. Também chefiei o jornalismo das rádios Subaé e Povo,
a reportagem do programa Acorda Cidade, do jornalista Dilton Coutinho, e a
produção do programa Antena Pioneira, da "lenda" Dilson
Barbosa. Fui editor no BA-TV 1a Edição, da TV Subaé. Repórter da sucursal da
Tribuna da Bahia (nos bons tempos do impresso). Editor-chefe do jornal Diário
da Feira. Fundador e editor-chefe do jornal Tribuna Feirense.
Vamos ao motivo deste texto de hoje. Recentemente, Ronaldo
foi tema de uma revista, elaborada pelos jornalistas Augusto Ferreira,
Ordachson Gonçalves e Eliel Paiva. A publicação conta um pouco da história
deste fenômeno da política regional, com cinco mandatos de prefeito na maior
cidade do interior da Bahia. Quem leu o conteúdo, soube de sua luta, desde a
infância e adolescência em Paripiranga e Cícero Dantas, até as importantes
vitórias em Feira de Santana.
Eu estava bem próximo de Ronaldo, como seu secretário de
Comunicação, quando ele enfrentou a maior crise de toda sua vida, em 2018. O
Ministério Público realizou na Secretaria de Saúde uma investigação de
possíveis fraudes em favorecimento de uma cooperativa prestadora de serviços
para unidades do órgão municipal. O prefeito e a secretária foram acusados de
improbidade administrativa.
Além de Ronaldo e Denise, o então procurador geral Cleudson
Almeida e o servidor Antônio Rosa se tornaram réus. Devem ter enfrentado
problemas emocionais muito sérios, sob pressão intensa, mediante as suspeitas
levantadas contra eles referentes a contratos da saúde no período de 2014 a
2017. Todos estão inocentados, em decisão desta semana, por unanimidade, do TRF
1 (Tribunal Regional Federal em Brasília), que analisava recurso do Ministério
Público Federal. Segundo a decisão da Terceira Turma, o Caso Pityocampa
está encerrado por falta de comprovação de dolo ou dano ao erário.
Quem conhece e convive, ou conviveu, próximo de Ronaldo, pode
dar testemunhos de sua idoneidade e eu gostaria de contar aqui duas histórias
inéditas que acompanhei e reforçam a confiança na honestidade deste político -
afinal, diferentemente do que muitos pregam, todo político tem seus defeitos,
mas não é regra que todo político seja ladrão.
Em 31 de dezembro de 2012, véspera da posse do prefeito,
Ronaldo reuniu o seu secretariado no auditório da Pousada Acalanto, sobre as
premissas de sua administração. No final, deixou uma mensagem que nenhum de
nós, secretários, esquece até hoje: "saibam os senhores, não admito maus
feitos em minha gestão. Seja quem for, se manchar a reputação do Governo, não
esperarei que a imprensa pressione pela exoneração e adoção das medidas
cabíveis. Eu o farei de imediato".
Certa feita, despachando com o prefeito, em seu gabinete,
verifiquei que ele folheava um processo da Secretaria de Desenvolvimento
Social. Se tratava da compra de canetas, para os diversos organismos da pasta.
Em dado momento, pegou o telefone e ligou para o secretário, extraordinário
homem público Ildes Ferreira, de saudosa memória. O convidou a comparecer à
Prefeitura, pois desejava tirar uma dúvida.
Acompanhei a conversa, porque não fui solicitado a sair da sala.
Ronaldo questionou o secretário a razão do valor unitário de cada caneta. Ele
achou caro. Ildes, sorriso nos lábios, não se incomodou, muito pelo contrário,
com a curiosidade do chefe do Executivo. Solicitou a documentação, deu uma
olhada, para relembrar dos detalhes. E, então, absolutamente convicto, olhou
nos olhos azuis do alcaide, e, falando do seu jeito meio gago, em tom formal,
esclareceu:
"Prefeito, o senhor vai entender. O preço desta caneta é
um pouco maior que o de compras anteriores por uma razão muito simples e justa.
Verifiquei que os CRAS, CREAS e outras das nossas repartições estavam
solicitando canetas novas com muita frequência. Elas davam defeito com poucos
dias de uso. Eu desconfiei que havia algo errado. Apurei que estávamos comprando
de uma marca inferior. Então, determinei que vamos adquirir desta vez da marca
Bic, que é superior e dura muito mais. Vamos economizar dinheiro público".
De fato, algumas marcas de canetas esferográficas são uma droga.
O prefeito ergueu a cabeça, olhou fixo para o zeloso
secretário, o parabenizou pela medida e orientou que Ildes apresentasse essa
solução aos colegas de outras pastas, para que também fizessem o ajuste. Aquele
encontro me ensinou muito. Um homem com a quantidade de demandas que Ronaldo tem,
responsável pela gestão de uma cidade metrópole, preocupado com uma compra de
canetas, que ele em princípio estranhou o preço. E um secretário criterioso,
atento, igualmente cuidadoso com os recursos públicos.
Parabéns ao prefeito feirense, pela vitória nos tribunais!
Os programas jornalísticos de rádio trataram, esta semana,
com bastante destaque, do pagamento, pela Prefeitura de Feira de Santana, dos
precatórios do Fundef, aos professores da Rede Municipal de ensino. A APLB
reivindica a remuneração com os juros que a União paga a estados e municípios
por ter atrasado o repasse do Fundo. A entidade de classe, no entanto, não
obteve sucesso nesta reivindicação.
A Câmara Municipal votou Projeto de Lei (PL) do Poder
Executivo, hoje, em primeira e segunda discussões, determinando pagamento sem
os juros, o que os professores temiam, pois segundo eles isto reduz
consideravelmente os valores a receber. Portanto, a Prefeitura terá autorização
legislativa para tal, assim que a lei seja sancionada, o que deverá ocorrer nos
próximos dias.
O prefeito Zé Ronaldo seguiu o mesmo caminho de Jerônimo
Rodrigues com os precatórios liberados pela União ao Governo da Bahia. O
governador petista não autorizou o repasse da parte que cabe aos professores da
rede estadual somando o valor dos juros, alegando que o Supremo Tribunal
Federal não obriga estados e municípios a fazê-lo.
Segundo o STF, diferente do valor principal, verba carimbada
para a educação, os juros dos precatórios do Fundef não estão obrigatoriamente
vinculados à mesma destinação constitucional. No entanto, não veda, de maneira
expressa, que os entes federativos paguem essa diferença por conta própria
através de leis locais, como ocorreu em alguns estados e municípios do país -
Recife, por exemplo, que resolveu contemplar o pleito dos professores.
O STF entrou em cena sem dar uma contribuição relevante, pois
não decidiu de maneira objetiva. É lamentável que a legislação do Fundef seja
omissa a este respeito, permitindo toda sorte de interpretação, por parte dos
prefeitos, governadores e suas procuradorias jurídicas. Evidentemente, se a
coisa se torna facultativa, a maioria dos gestores vai optar por não pagar a
correção.
Em Feira, Ronaldo tenta diminuir a confusão se comprometendo,
caso o judiciário decida em segunda instância (Tribunal de Justiça do Estado)
que os professores tem direito aos juros, de autorizar o pagamento. A APLB
deverá judicializar a questão, se já não o fez.
Esta polêmica pode estar com os dias contados. Um projeto de
lei em tramitação na Câmara dos Deputados busca garantir que os juros e a
correção monetária incidentes sobre os precatórios do Fundef também sejam
repassados aos professores no rateio dos 60% a que a categoria tem
direito.
Foi aprovado ontem à noite, em Brasília, o regime de urgência
para a matéria. O clima por lá é fortemente favorável à aprovação da medida. Em
pleno ano eleitoral, deputados não vão correr o risco de contrariar o interesse
dos docentes das redes municipal e estadual em todo o país. A votação deve
ocorrer nas próximas semanas.
É claro que prefeituras e estados, sabendo disso, estão
apressando os processos de remuneração. Assim, quando a lei estiver aprovada, e
não tendo havendo efeito retroativo, não poderá mais mudar o que já foi feito.
Assim, o repasse com juros deverá ser posto em prática nas futuras parcelas
atrasadas do Fundef a serem liberadas pelo Governo Federal.
Caruaru, no agreste de Pernambuco, uma das mais prósperas cidades do interior do Nordeste, com o seu importante polo comercial e industrial de confecções, fica a 125 quilômetros de Recife, onde se encontra provavelmente o maior aeroporto do Nordeste. Estive por lá, há um ano, e vi, presencialmente, a grandeza daquele município de 405 mil habitantes. Realmente, impressiona o potencial econômico local. A governadora Raquel Lira tomou uma decisão que vai impactar positivamente a vida dos empreendedores e da sociedade, em geral, de Caruaru e sua região.
Vai ampliar o aeroporto Oscar Laranjeira, daquela cidade, em um investimento de R$ 98 milhões com recursos próprios. Isto mesmo, verba do Estado. O objetivo maior do investimento é aumentar a pista de pouso e decolagem, que atualmente conta com 1.800 metros e vai para 2.250 metros. As obras foram iniciadas em 27 de março, começando pela implantação do canteiro, levantamento topográfico e limpeza da vegetação em uma área de 300 mil metros quadrados.
Será feita a requalificação das pistas de táxi, instalação de equipamentos de auxílio à navegação aérea e implantação de sistema de drenagem, adequação da faixa de pista e da área de segurança de fim de pista. O projeto integra o novo PAC do Governo Federal e o investimento final deverá alcançar R$ 150 milhões, resultando na modernização completa do terminal de passageiros e pátio de aeronaves. A previsão de entrega é de 14 meses, primeiro semestre de 2027.
- Caruaru é um país, tem quer respeitar - diz a governadora, em sua rede social, no dia em que assinou a ordem de serviço. Ela disse ser "uma alegria realizar o sonho do povo do agreste pernambucano", com a ampliação do aeroporto, que será "de ponta". A expansão da pista e as outras obras de infraestrutura, segundo ela, vai dar ao equipamento um caráter regional.
É a "garantia de conectar Pernambuco com todo o país e o mundo", afirmou Raquel Lira, proporcionando "mais oportunidades de alavancar novos negócios, permitir crescimento sustentável". Ao exaltar o setor de confecções, carro-chefe da economia em Caruaru, ela lembrou de outros segmentos não menos fundamentais para o desenvolvimento regional: "temos aqui outros vários polos, a assistência médica e a diversidade da prestação de serviços".
A governadora considera que, se "queremos atrair novos negócios, um novo aeroporto é extremamente relevante". Não perdeu, obviamente, a oportunidade de provocar seus antecessores e adversários. "Por muito tempo o que recebemos foi promessa, não havia sequer projeto. Fizemos (o projeto), captamos os recursos, exclusivamente do Governo do Estado de Pernambuco e vamos fazer", declarou, com uma bandeira de Caruaru estendida por suas mãos.
Enquanto isso, em março de 2024, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, visitou Caruaru e anunciou investimento de R$ 140 milhões no aeroporto local. Ele disse que o objetivo será a ampliação da oferta de voos diretos para o Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A previsão é de que as obras sejam finalizadas em 2026.
O projeto contempla novo estacionamento, meio-fio e via de acesso, boulevard comercial, saguão público de desembarque, área de check-in, salão de embarque e sala de desembarque, praça de alimentação com vista para o pátio. O ministro justificou que Caruaru é "cidade polo do interior de Pernambuco" e disse que as obras vão beneficiar 50 cidades.
Em Feira de Santana, o Governo Federal fecha os olhos para o Aeroporto João Durval, embora sejamos, também, importantíssima cidade polo não de cinco dezenas de municípios, mas mais de 100. O máximo que conseguimos, por meio do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), anunciado no ano passado, foi a liberação de um pequeno montante de recursos para "estudos e projetos básicos" no equipamento. Não se tem notícia a quantas está andando esse trabalho.
E o Governo da Bahia? Bem, o Estado toca, aqui, uma obra de R$ 10,2 milhões - 10 vezes menos recursos que o investido pela governadora de Pernambuco em Caruaru. A ação se arrasta desde agosto de 2024. Em julho do ano passado, havia uma previsão de término em seis meses. Já se passa quase um ano e nada de conclusão.
É inevitável comparar. Além da diferença absurda nos valores, a pista do aeroporto feirense, de 1.500 metros, vai ganhar 300 metros mais, apenas. A dimensão futura da pista, 1.800 metros, é a atual do aeroporto de Caruaru, que será ampliada para 2.250 metros. Há diferença significativa. E isto não acontece porque Feira de Santana seja menos estratégica, na Bahia, do que é Caruaru para Pernambuco.
Com uma população estimada em 660 mil habitantes, conforme o IBGE, portanto, bem superior a de Caruaru, Feira também é um centro regional de grande relevância, com forte influência nos segmentos de saúde, educação, indústria, comércio e serviços. A distância para Salvador é praticamente a mesma da cidade pernambucana para Recife.
O governador Jerônimo Rodrigues, que em campanha prometera uma grande transformação do Aeroporto João Durval, pelo visto, não concretizará o compromisso. Feira de Santana merece, sim, como acontece com Caruaru ou Campina Grande na Paraíba, estar conectada, por transporte aéreo, com os principais destinos brasileiros. A população regional, de mais de 2 milhões, exige, há muito tempo, um equipamento ao menos de médio porte. Demanda tem, e muita.
A campanha eleitoral que se avizinha, para a Presidência da República, promete ser das mais acirradas dos últimos tempos. Pelo menos nesta fase, de pré-candidaturas, a disputa está polarizada. Não se pode, é claro, afirmar que assim vai permanecer até outubro. Afinal, como dizia o prefeito José Falcão, eleição é como nuvem, que muda de posição repentinamente. Seria mesmo uma surpresa, que uma das terceiras vias apresentadas até aqui seja capaz de entrar no jogo com poder de fogo capaz de modificar o cenário. Parece mais provável que influenciem um segundo turno.
O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, busca o seu quarto mandato. Na redemocratização, ele já é um fenômeno, com três eleições conquistadas, além de eleger e reeleger a sua pupila, Dilma Rousseff. Tudo junto, foram quatro vitórias consecutivas, convenhamos, um recorde difícil de ser quebrado. Nas últimas seis eleições, Lula venceu cinco.
A sequência foi interrompida com a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, o que, tudo indica, apenas ocorreu porque Lula estava na prisão. Solto, voltou à disputa em 2022 e conquistou o terceiro mandato, a quinta vitória, no total. Bolsonaro deu adeus sem direito a segundo mandato e, de quebra, foi pra cadeia por sua movimentação em torno de um projeto de golpe militar que não se consumou.
Até bem pouco tempo, no segundo semestre de 2025, o petista demonstrava musculatura e uma reeleição aparentemente encaminhada, diante de alguns fatos que lhe eram bastante favoráveis: Bolsonaro preso, a direita dividida e confusa, economia bem, desemprego em baixa, Eduardo Bolsonaro fazendo lobby nos Estados Unidos por penalidades contra o Brasil, Donald Trump dialogando com Lula.
O nado de braçadas dos governistas, no entanto, encontrou recentes obstáculos e já não há aquele absoluto favoritismo. Vieram os escândalos do INSS e do Banco Master, a crise no Supremo Tribunal Federal, a guerra entre Estados Unidos-Israel x Irã com forte alta dos combustíveis, causando forte tensão na economia. Os menos atentos podem imaginar que estes processos não dizem respeito, diretamente, ao governo Lula. Ledo engano.
Tudo isto impacta, sim, a opinião pública, contra a gestão federal, como revelam estudos políticos. Além de todos estes fatos, há um outro componente importante, a pré-oportuna candidatura do senador Flávio Bolsonaro, que está sendo muito bem recebida pelo eleitorado de direita, reforçada com as pré-candidaturas dos ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, pelo PSD, e de Minas, Romeu Zema, pelo Podemos.
Assim, "Lula 4" se encontra vivendo um momento eleitoralmente desconfortável, com Flávio bem nas pesquisas, chegando inclusive a superá-lo, em alguns cenários. Evidente, é um quadro absolutamente aberto. Diferentemente de seis meses atrás, não é possível cravar Lula como favorito. Flávio, por sua vez, tem muito que combater, especialmente para melhorar a sua performance no Nordeste, se deseja realmente ganhar o poder.