Cesar Oliveira - 16 de Março de 2018 | 18h 54
Consta de qualquer manual básico do romance policial que diante de um homícidio a pergunta natural é: a quem interessa a morte? Então a quem interessa a morte de Marielle? A banda podre da Polícia? Bem, as denúncias dela não são novas, nem seria a hora mais lógica da Polícia executá-la, quando estão sob observação dos interventores federais. A milícia? Não há, também, lógica nisso, pois, ela nunca combateu o tráfico de drogas, nem a exploração de transporte, ou venda de gás, por essas facções. Ao tráfico? Sim, ela pode ter contrariado interesses de facções rivais, mas não se pode provar, por enquanto. Apesar das ressalvas, todos são, sim, potenciais interessados.
Interessa aos que estão contra a intervenção federal? Sim, interessa. E a quem incomoda a intervenção? A traficantes que perdem espaço e acesso ao tráfico de armas, as mílicias, a banda podre da Polícia que corre o risco de ser denunciada e presa, os consumidores do circuito morro, areias de Copacabana, baixo Leblon e rota de badalação, e políticos corruptos que são financiados pelo tráfico para defenderem suas causas. E devem ser investigados.
É preciso investigar, também, quem financiou a campanha, que contribuia com a vereadora, para tentarmos encontrar o interesse que foi contrariado e punir, exemplarmente, os criminosos.
A verdade final é que o cidadão comum é o único que não perde espaço com a presença das Forças Armadas e outras Policias. Ao contrário. As últimas apreensões de cocaína ( 1,5toneladas no valor de R$250 milhões de reais, a maior já feita no Estado), fuzis, retirada de barreiras de acesso, é o ínicio de uma lenta, custosa e prolongada retomada da autoridade pública. Não enxergar isso, apenas porque foi Temer que fez, corajosamente, quando nenhum outro presidente, inclusive Lula e Dilma, o fizeram é desejar que o povo carioca continue submetido a exploração dos politiqueiros oportunistas e a submissão ao poder do crime.
Ao contrário da expectativa de criar uma comoção contra a intervenção, a bárbarie da execução, óbvia, da vereadora, independente de seu perfil, é o ato mais evidente, explícito, da necessidade da urgência da intervenção federal, de sua ampliação e do acerto do governo Temer, pois, o poder público e o estado de direito, foram desafiados.
Ou vence a população do Rio, e a lei, ou perdemos, todos.
Cesar Oliveira - 16 de Março de 2018 | 14h 20
A violência brasileira é multifatorial, e assustadora por sua complexidade e falta de respostas. Envolve um Judiciário ineficiente, Polícia desarticulada e um Legislativo que não se debruça sobre a questão das leis e prefere não ouvir o clamor da população exigindo mudanças. O homícidio de uma vereadora, no Rio, no entanto, parece ter desencadeado um furor emotivo, como se as demais 60 mil vítimas, inclusive de um pai, diante do filho de 5 anos, ontem mesmo, no Rio, não merecessem a mesma indignação.
Aproveitando o fato, muitos começaram acusar o governo Temer e a intervenção, sem fazer a mea culpa completa. A verdade é que durante os governos Lula e Dilma nada foi feito de concreto para combater a violência, ao contrário, foi nesse período que os indíces explodiram, especialmente no Nordeste, e na Bahia, como mostra o Mapa da Violência. Os investimentos em segurança foram reduzidos e apenas São Paulo apresentou melhoria nos seus números. Ao final do governo Dilma, com recessão, haviam 12 milhões de desempregados. Não se chega a essa explosão de hoje sem atribuir aos seus responsáveis a sua parte nesse latifúndio.
Na esteira da morte da vereadora Marielle, no Rio de Janeiro, do devasso e corrupto governador Sérgio Cabral, outros aproveitam para responsabilizar o governo Temer. A critica, sem fazer a mea-culpa, sem apontar a falha do governo anterior, fica com ar de jogo político. O correto é que, pela primeira vez, um presidente está tentando fazer algo para coibir o desmando administrativo e o vácuo de poder no Estado, decretando a intervenção federal, infelizmente, não tão ampla como merecia. Cobrar resultados em um mês, como se enfrentar traficantes, milicianos, banda podre da Polícia, politicos corruptos, que compõem a fauna carioca, fosse uma reunião para o chá, é torcer a lógica da argumentação. O processo será longo, custoso e díficil.
A verdade é que os bandidos do Rio irão reagir ao serem confrontados e, mais do que antes, fica claro que Temer tomou a atitude correta e que já deveria ter sido tomada pelos presidentes anteriores e, talvez, aí então, Marielle estivesse viva agora.
Cesar Oliveira - 12 de Março de 2018 | 14h 12
De todos os direitos que a civilização conquistou não há nenhum como a liberdade individual e nenhum tão duramente e tão violentamente atacado ao longo da existência humana. Na maioria das vezes, sempre que a civilização foi atacada, havia um inimigo visível, exibindo sua ambição, força, para tentar submeter os demais ao seu jugo, e tornando óbvio e evidente contra quem era preciso lutar. E justo lutar.
Nos tempos atuais, entretanto, quando aparentemente estamos mais avançados e livres, do que jamais estivemos, é quando sofremos a maior ameaça a liberdade, pois, agora, não há um inimigo definido, ou ele é difuso. Ele se manifesta em discursos politicamente corretos e imobilizadores, quase sempre sustentado em alguma ideia de reparação, justiça social, progressismo, multiculturalismo, ativismo sexual. ideologia de gênero, questões boderline do direito, desarmamento, relativismo criminal e outras mais, que apenas instrumentalizam demandas de grupos localizados da sociedade para criar uma narrativa de ocupação de espaços, como agenda dominante. Essas pautas acabam dominando o debate, como principais questões da Soceidade e da maioria e prestam-se ao papel de manter esses fomentadores em evidência e com maior inserção na comunicação, parte dela espontanea e gratuita.
Protegidos por questões reais, por vezes existentes, essas forças- instrumentalizadas- limitam o espaço de reação da Sociedade e vão aproveitando para expandir-se no que não passa de uma mera luta pelo poder e o velho desejo de subjugar a liberdade do outro; antigo, como sempre.
Assim, vão cerceando o mais importante dos instrumentos humanos:a linguagem. Dominada essa, os atos se tornam reféns. Voltaremos aos casulos. A mercê dos predadores naturais do globalismo.
Não custa lembrar, Cecília Meireles: liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda. E o preço por ela, depois de perdida, costuma ser caro.