Inaugurado em 1984 como unidade assistencial, o Hospital
Geral Clériston Andrade (HGCA) começou a transformar seu perfil de atuação a
partir da criação da Residência em Clínica Médica, em 1992, tornando-se uma
unidade docente-assistencial. Embora tenha havido, inicialmente, uma
resistência a essa mudança, a ampliação dos programas de Residência Médica e do
número de estudantes de diversas áreas consolidou essa vocação, que foi
incorporada à rotina da unidade. Com a implantação do curso de Medicina da UEFS,
em 2003, esse campo de ensino tornou-se ainda mais essencial.
Hoje, o governador Jerônimo, inaugurou o novo Centro de
Ensino e Pesquisa do HGCA, que contou com investimentos de quase R$ 4,5
milhões. A instalação transcende o espaço físico, visando alavancar a qualidade
da formação profissional e da pesquisa científica. O governador destacou: “É um
espaço muito aguardado, que vai fortalecer a produção científica, a formação de
profissionais qualificados e o desenvolvimento de pesquisas em parceria com
universidades públicas e privadas, como a UEFS e a UFRB”.
O espaço conta com consultórios, salas de aula, auditório
com capacidade para 150 pessoas e uma sala de simulação realística, o que
permitirá a realização de eventos científicos e o aprimoramento do treinamento
de alunos e profissionais. Atualmente, o HGCA possui programas de residência
médica em áreas como Clínica Médica, Cirurgia Geral, Ortopedia, Medicina
Intensiva, Neurocirurgia, Neurologia, Endoscopia e Anestesiologia, com outras
especialidades em processo de implantação.
O governador, ao lado da secretária de Saúde, Roberta
Santana, e da diretora Cristiana França, consolida um avanço e uma mudança de
paradigma no modelo docente-assistencial da rede estadual de saúde. É evidente
que a pesquisa exige alocação de recursos e comitês de ética estruturados, mas,
sem dúvida, este é um marco que merece aplausos.
Um adulto e três adolescentes realizaram um estupro coletivo contra duas menores, de 7 e 10 anos, e divulgaram o vídeo na internet. A barbárie chocou até mesmo policiais experientes. É evidente que nem as crianças, nem seus familiares, terão uma vida normal ou uma trajetória sem perdas e danos após evento dessa crueldade. O adulto já foi preso — na Bahia —e um dos adolescentes ainda não foi capturado. Recentemente, outro grupo de jovens praticou ato semelhante contra uma adolescente no Rio de Janeiro- também filmado- e não mostraram arrependimento após serem presos.
Torna-se imperativo repensar o limite da maioridade penal,
ao menos para crimes tão terríveis, pois torna-se injustificável perante a
sociedade, os pais e as vítimas que esses jovens sejam postos em liberdade após
apenas três anos — um perdão inconcebível diante de uma lesão familiar
incurável.
Escrevo, contudo, não para cobrar justiçamento, mas para
compreender a pulsão social da pedofilia e da violência sexual contra menores.
Até que ponto o modelo de impunidade, a erosão dos costumes, o hedonismo e o
ambiente cultural e midiático de normatização sexual possuem responsabilidade? E
a adultização de crianças, um fenômeno
ainda fluido e sem definições objetivas, tem que impacto? Não se trata de buscar leniência ou
abrandamento da punição- ao contrário- mas de encontrar meios de repensar nossa
sociedade, nossos valores, o papel inibidor da lei e a educação, a fim de
evitarmos que esse tipo de tragédia se repita.
Essa recorrência de crimes aponta para uma falência
institucional e civilizatória que vai muito além da simples falta de segurança.
Quando adolescentes participam de uma barbárie dessas, eles sinalizam que o
valor da vida e da dignidade alheia foi suprimido por uma lógica de poder e
gratificação imediata. Essa pulsão é alimentada por uma sociedade que, sob o
pretexto de liberdade, muitas vezes flerta com o libertinismo e com a perda de
referenciais éticos sólidos.
O hedonismo sexual, que coloca o prazer individual acima de
qualquer barreira moral, desumaniza o próximo; a vítima deixa de ser um
semelhante e passa a ser um objeto de descarga de impulsos. No campo jurídico,
o debate sobre a maioridade penal no Brasil esbarra em visões que parecem
anacrônicas diante de crimes hediondos filmados e postos em rede mundial, ao
contrário dos países mais civilizados. A sensação de injustiça nasce
do desequilíbrio: a vítima carrega uma pena perpétua de trauma, enquanto o
agressor jovem, amparado por uma legislação que foca na ressocialização acima
da retribuição, retorna ao convívio social em um tempo que a consciência
pública considera insuficiente. Esse hiato entre a lei e o sentimento de
justiça gera um descrédito nas instituições.
Além disso, o ambiente midiático e a cultura de massa
desempenham um papel de pedagogia do vício. Quando a hipersexualização é a
norma e o limite é visto como algo repressivo, cria-se um terreno fértil para
que personalidades limítrofes testem os extremos da perversão. O papel inibidor
da lei deve ser a última barreira, mas ele só funciona se as barreiras
anteriores — a família, a educação moral e o senso de comunidade — estiverem
íntegras. Sem uma revisão profunda de como educamos nossos jovens para o uso da
tecnologia, para o respeito ao outro, e
sem um sistema legal que responda à altura da crueldade praticada,
continuaremos a enfrentar tragédias que destroçam o futuro de crianças. A
reforma deve ser tanto penal quanto cultural, atacando a impunidade jurídica e
a permissividade ética que sustenta esse ciclo de violência.
"Quem mais comete crime no Brasil é a polícia, mais de 60% dos crimes. Não são os bandidos, não são os pretos, não é a favela".
Ninguém sabe se Daniela retirou esse dado de algum estudo técnico, fonte de pesquisa, ou apenas falou uma dessas asneiras para lacrar, com a irresponsabilidade e a rasura que alguns artistas cometem, ao tentar analisar a sociedade.
"Edson, peço que você seja carinhoso com a sua esposa, porque a gente não aceita nenhuma violência contra a mulher."
Daniela para Edson Gomes, em um momento do Prêmio Armandinho, sem poder provar e causando um constrangimento ao cantor e ao evento. Com provas, ela poderia ter denunciado à polícia, recusado-se a dividir o palco ou, até mesmo, conversado em particular, mas preferiu deixar os organizadores do prêmio em situação delicada.
“Eu diria que não tem ( juiz) azul ou vermelho. Tem quem tem interesse, tem quem tem causa. Nós vermelhos temos causa, não temos interesse. E que fique bem claro isso para quem fica divulgando isso aqui no País”.
( Presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, que deveria ter como causa apenas a Constituição!
A primeira vez que o vi, Professor Geraldo Leite, foi no início dos anos oitenta; eu, jovem aluno de Medicina, cheio de certezas. O senhor, catedrático de Parasitologia na Bahiana — a “escolinha da ladeira” — falava-nos desses conterrâneos que nos parasitam.
Recordo-me, mais de quarenta anos depois, a aula em que afirmou que o Schistosoma tinha “reprodução assexuada”. A gente ria e achava muita besta desperdiçar a vida assim.
Por tempos, li notícias com seu nome nos jornais, mas só nos anos noventa o vi de novo em meu caminho. Passei em segundo lugar em um concurso na UEFS, a magnífica universidade que o senhor e outros criaram, e da qual foi o primeiro Reitor. Respondi a metade da prova em verso, confirmando que podia ensinar Fisiologia, mas era um péssimo poeta. Novamente, o senhor me dava régua e compasso.
Durante os anos em que coordenei o curso de Medicina, nunca deixei de pensar que estava lá por usufruir de suas lições e de sua criação. Muitos anos depois, por indicação — exagerada — das professoras Carlinda e Anaci Paim, entrei para a Academia de Educação de Feira, que também o tem como fundador. Do meu canto, percebi que essa extraordinária Academia, com seu elevadíssimo perfil de realizadores, respira sua influência e espírito.
Tornou-se mais fácil vê-lo em alguns eventos e na casa da Doutora Iracema. Nestes lugares, comenta-se com orgulho e voz alta suas realizações na Fundação José Silveira, na UEFS e na Academia de Letras do Rotary. Ouvi da imprescindível Marilene — funcionária número um da UEFS — como foi seu reitorado e como lá plantaram os primeiros pés de pau-brasil. A esse tempo, sua obra e disposição já tinham se tornado lenda, mas quero lhe contar de algo simples e corriqueiro.
Encontrei-o em um almoço de fim de ano da Academia. Evidente que o senhor era, aos 98, mais jovem que eu, que convivo apenas com as dúvidas. Ao chegar, cumprimentei-o com a reverência que nós, alunos, devemos manter com os grandes mestres. Sentei-me distante, ao lado do atual e dinâmico presidente José Raimundo, de onde podia observá-lo.
E vi o homem — enfim, o homem — com a paz de quem cumpriu seus propósitos; a sabedoria de quem, podendo ser soberbo, escolhe a brandura; podendo apenas receber, compartilha afetos. Aristóteles dizia que a excelência não é um ato, mas um hábito, e o senhor a construiu com maestria, sem se deixar ferir excessivamente pelas dificuldades.
Sei que, nas muitas homenagens por este centenário, falarão de sua excelência como médico, educador, reitor, diretor de instituições, membro de clubes de serviço e de seu espírito visionário. Certamente tudo é merecido, justo e belo. Também as faço, mas queria falar daquele almoço.
O senhor, ao lado de sua revitalizante Laudiceia — amor e motivo — chamou o garçom e pediu um chope. Espantei-me, não nego. E o vi bebê-lo, o chope simples, de forma alegre, genuinamente alegre, como se fosse uma especiaria, consciente do milagre da nossa existência. E, novamente, me senti aquele aluno, aprendendo sobre viver em sua aula.
Ontem, sozinho, ergui um brinde à sua vida. Peço apenas que me perdoe por ter sido com vinho — alunos, por vezes, divergem do mestre, mesmo os gigantes.
Obrigado e parabéns, Professor Geraldo Leite!