O governo do estado está anunciando um mutirão de cirurgias gerais e ortopédicas. Ótima notícia. Sinal que centenas de pessoas terão aliviado seu sofrimento, sua angústia, sua espera indefinida, que causa prejuízos e agravos emocionais, físícos, e, boa parte das vezes, de provisão do lar.
O governo do estado está anunciando um mutirão de cirurgias gerais e ortopédicas. Péssima notícia. O mutirão só acontece quando se chegou a acúmulo tal que a situação está insustentável, em sinal claro, evidente, óbvio, que a saúde pública- estadual e municipal- está falhando miseravelmente, pois, não foi capaz de resolver no tempo e no momento adequado a demanda dos doentes, como se intervenções de saúde pudessem ser adiadas sem sofrimento ou risco.
Não, o mutirão não é um ato deste governo. É um ato de todos os governos, seja federal, estadual, ou municipal. Eles se repetem periodicamente, independente do ocupante do poder.
Os agravos a saúde permaneçem, os governos mudam, os mutirões se perpetuam, e a solução definitiva para a saúde nunca aparece.
A vitória de Temer, na CCJ, está longe de representar absolvição de culpas ou atestado de bom comportamento. Ao contrário, apenas faz afundar mais na lama parlamentar o Congresso nacional.
A manobra de trocar deputados de acordo com cada votação é legal e permitida no Regimento da Câmara, mas viola a democracia ao tornar um jogo de cartas marcadas e preço certo os votos ali apresentados. A mudança ao sabor dos interesses rompe a legitimidade da Comissão, o papel fiscalizador do Legislativo, o exercício democratico e coloca de joelhos o Legislativo diante do Executivo.
A manobra não foi inventada por Temer, nem ele foi o primeiro a usá-la - em verdade um aptidão de todos os governos-, mas soa anti-ética, indecente e imoral especialmente nos dias atuais e comandada por um Presidente que é o primeiro da história a ser denunciado pela Procuradoria da República.
Não foi estabelecido uma meta, mas já que atingimos a meta de ter um presidente condenado por corrupção, está na hora de dobrar a meta.
A CCJ- Comissão de Constituição e Justiça rejeitou o parecer do relator da denúncia contra Temer, por 40 votos a 25. A intensa movimentação do governo liberando emendas de parlamentares sugeria que Temer poderia vencer, mas o placar foi mais do que o esperado mostrando que o presidente-pinguela tem, ainda, bala na agulha.
Temer deve ter que enfrentar mais duas denúncias, mas diversos fatos conspiram a seu favor: o enfraquecimento da esquerda com a condenação de Lula, os bons resultados da economia e o enfraquecimento de Janot, pelo fim do mandato na PGR, e a nomeação de Raquel Dodge, para seu lugar. Temer ganha sobrevida e Rodrigo Maia fica mais longe da cadeira presidencial.